A Confederação Empresarial da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CE-CPLP) acredita que não está a ser dada prioridade à cooperação económica e empresarial, que a CPLP definiu como o "quarto pilar" da organização, a par dos princípios fundadores da cooperação em todas as áreas, concertação político-diplomática e promoção da língua portuguesa.

Mário Costa, presidente da União de Exportadores da CPLP, afirmou à Lusa que, da riqueza criada nos países da CPLP, só três por cento é que é feita de relações entre eles, ou seja, os países lusófonos têm mais relação empresarial fora do espaço comunitário do que dentro da CPLP.

“É necessária uma agenda anual, com ações, em estreita parceria com o secretariado-executivo e com as estruturas superiores, o Conselho de Ministros [dos Negócios Estrangeiros] e a própria cimeira”, disse à Lusa o secretário-geral da Confederação, José Lobato.

Por outro lado, o setor privado da lusofonia defende a necessidade de realização de “uma cimeira económica”.

“As cimeiras normalmente são mais políticas, incidem principalmente sobre a parte cultural, linguística, mas a parte económica não é uma prioridade”, lamentou José Lobato.

Outras propostas feitas pelos empresários serão a promoção da mobilidade no espaço lusófono de pessoas, bens e produtos, serviços ou capitais; medidas para evitar a dupla tributação; e a constituição de um centro de arbitragem.

“A CPLP tem um potencial enorme. Se políticos e empresários andarem de mãos dadas, em duas ou três décadas pode ser uma potência económica mundial enquanto bloco”, sublinhou o também vice-presidente da comissão executiva da CE-CPLP, Mário Costa.

A cultura como “garantia para o desenvolvimento socioeconómico”

Criar um mercado de arte e cultura lusófono: esta é a ideia que Ulisses Correia e Silva, primeiro-ministro cabo-verdiano, anunciou em outubro do ano passado, para assegurar “a mobilidade de pessoas e a criação de efetivos espaços de mercado” na CPLP.

José Jorge Letria, presidente da Sociedade Portuguesa de Autores e vice-presidente do Grupo Europeu de Sociedades de Autores e Compositores, apontou como “muito positivo” o anúncio feito pelo primeiro-ministro cabo-verdiano.

“Tudo iremos fazer no sentido de que o trabalho criativo lusófono tenha crescente e merecido reconhecimento internacional e capacidade de atrair novos públicos para a constatação do que somos e valemos também em português”, garantiu o responsável.

Por seu lado, o presidente da Sociedade Cabo-verdiana de Autores, Daniel Spínola, disse que tem "enorme expectativa" em relação à ideia, lembrando que já fizeram "estas propostas há muito tempo". "Esperamos que se concretizem agora e com Cabo Verde na presidência [da CPLP]", perspetivou, defendendo que deve haver equidade na CPLP na área cultural.

Em declarações à Lusa, o líder associativo cabo-verdiano considerou que é preciso realizar mais atividades de divulgação, criar redes de distribuição de produtos culturais e promover bolsas de estudo para levar os membros a conhecerem a realidade das comunidades.

Os artistas angolanos queixam-se da falta de intercâmbio no domínio da cultura na CPLP e defendem “frente única”, sobretudo no domínio das sociedades de direitos de autor. “Gostaria ter maior solidariedade com os países da CPLP”, referiu, em declarações à Lusa, o presidente da União Nacional dos Artistas e Compositores – Sociedade de Autores de Angola, Massano Júnior.

Em tom de alerta, o académico e músico moçambicano do grupo K10, Rufus Maculuve, referiu que para a ideia do mercado comum funcionar “primeiro teria de ultrapassar algumas barreiras político-administrativas, principalmente a questão do visto”. “Talvez se existisse um visto especial para os artistas. Tem de haver um mecanismo que torne a circulação mais fácil”, explicou.

O também músico moçambicano Stewart Sukuma saudou a iniciativa da criação de um mercado de arte e cultura lusófono. O artista considera “a cultura uma garantia para o desenvolvimento socioeconómico, não só por si, mas também através de outras áreas como o turismo".

O cineasta guineense Flora Gomes considerou que “a ideia é boa e é de louvar e apoiar, visto que é das raras vezes que as autoridades” dos países lusófonos estão a dar apoio a esta área “que é tão marginal, mas que é a alma de todos os povos do mundo”.

“É uma ideia extraordinária. Os criadores têm grande dificuldade em movimentar-se. Os mais novos, músicos e pintores, têm dificuldade em ir a um país tão próximo como, por exemplo, Cabo Verde, sem falar de Portugal e Brasil”, considerou.

Cabo Verde acolhe, hoje e na quarta-feira, na ilha do Sal, a XII Conferência de Chefes de Estado e de Governo da CPLP, cimeira que marca o arranque da presidência cabo-verdiana da organização nos próximos dois anos, que terá como lema "Cultura, pessoas e oceanos".

A CPLP é composta por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

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