Durante semanas, as ruas do Cairo e de outras cidades do país viram florescer cartazes favoráveis à revisão da Constituição de 2014, que limita a dois o número de mandatos presidenciais.

As emendas que permitem alargar o mandato do Presidente de quatro para seis anos, com término em 2024, foram aprovados na terça-feira no parlamento, por esmagadora maioria. O chefe de Estado poderá então apresentar-se a um terceiro mandato e governar até 2030.

As novas disposições, que terão que ser aprovadas no referendo, também preveem uma limitação da autonomia judicial e a institucionalização da ingerência das Forças Armadas, pilar do regime, na vida política.

Mustapha El-Sayyid, professor de ciência política da Universidade Americana do Cairo, frisou, em declarações à agência France-Presse (AFP), que esta série de emendas “não tem precedentes na história (moderna) do Egito”.

A votação no referendo decorre até dia 22, segunda-feira.

Al-Sissi, no poder após ter liderado um golpe de Estado militar em 03 de julho de 2013 quando assumia a pasta da Defesa e que derrubou o Presidente islamita Mohamed Morsi, foi reeleito Presidente em 2018.

De acordo com o portal noticioso egípcio da Internet Mada Masr, as autoridades bloquearam na segunda-feira 34.000 páginas daquela rede para “silenciar” a campanha da oposição contra as emendas constitucionais.

A oposição à revisão constitucional esteve praticamente remetida às redes sociais.

A larga maioria dos ‘media’, em particular a televisão, reproduz e enfatiza o discurso de Al-Sisi, diabolizando as vozes críticas, na sua maioria remetidas a um exílio forçado.

Na semana passada, a Human Rights Watch (HRW) apelou ao Congresso norte-americano para não apoiar a “repressão no Egito”, quando Al-Sissi se encontrava de visita a Washington para reunir-se com o seu aliado Donald Trump.

Segundo aquela organização não-governamental (ONG), o “projeto de reforma constitucional (….) institucionaliza o reforço do autoritarismo”.

“Caso sejam adotadas, estas emendas constitucionais agravariam a crise devastadora dos direitos humanos” do Egito, alertou a HRW.

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