"Temos cerca de 60 a 70% de pessoas que não vão votar. As pessoas desistiram, marginalizaram-se, auto segregaram-se e o nosso objetivo é mobilizar essas pessoas para votar", disse em entrevista à agência Lusa, vincando que "as pessoas têm de perceber que a política é a vida delas".

O candidato do Partido Unido dos Reformados e Pensionista (PURP) pretende eleger, pelo menos, um deputado nas eleições de 22 de setembro e, nesse caso, admite apoiar coligações, exceto com partidos da direita.

"Alianças pós-eleições com a direita não fazemos, nem com PSD, nem com CDS. Isso fica fora de questão", realçou, admitindo, no entanto, acordos com o PS e outros partidos, desde que seja assumido o compromisso de criar um serviço público de saúde "robusto" na região autónoma.

"O nosso grande objetivo é a saúde, uma saúde pública para todos, uma saúde pública robusta", disse, garantindo, porém, que tal não passa por "destruir" o setor privado, mas sim por transformá-lo num complemento do setor público sem custos para os utentes.

"Lutaremos ferozmente contra lóbis instalados que realmente absorvem quase todo o orçamento regional e não envolvem as pessoas", declarou.

O cabeça de lista indicou que as propostas do PURP visam "alavancar" o tecido económico do arquipélago, nomeadamente através da ligação marítima de passageiros com o continente durante todo o ano [atualmente ocorre apenas nos três meses de verão] e também do estabelecimento de uma ligação rápida de ferry entre o Porto Santo e a Madeira, para contornar os transtornos provocados quando o aeroporto está inoperacional e os voos divergem para ali.

Rafael Macedo tem 38 anos e é médico especialista em Medicina Nuclear, tendo sido coordenador da unidade pública no Hospital Central do Funchal.

Em março passado foi suspenso do cargo pela administração do Serviço de Saúde da Madeira na sequência de denúncias de alegado mau funcionamento do sistema regional que fez numa reportagem televisiva e, posteriormente, em comissão de inquérito no parlamento regional.

O candidato considera que este caso não afeta a confiança que a estrutura nacional do PURP deposita em si.

"O nosso objetivo é, com humildade, ter uma presentação parlamentar, envolver as pessoas, ter uma maior envolvência com a população", afirmou, acentuando que o eleitorado alvo do partido são as pessoas que estão "marginalizadas".

Durante a campanha eleitoral, Rafael Macedo vai privilegiar a utilização das redes sociais, mas também o contacto direto com a população, sobretudo as "pessoas das periferias".

O PURP concorre pela primeira vez em eleições regionais na Madeira, onde a Assembleia Legislativa é composta por 47 deputados, e pretende eleger uma representação parlamentar para iniciar um processo de "verdadeira mudança".

*Por Duarte Caires (texto) e Homem de Gouveia (foto), da agência Lusa

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