O Twitter cometeu "uma clara violação material" das suas "obrigações sob o acordo de fusão e o senhor Musk reserva-se ao direito de não consumar a transação e o seu direito de encerrar o acordo de fusão", afirma um documento apresentado à Bolsa de Valores e divulgado nesta segunda-feira.

De acordo com a missiva, Musk terá feito o pedido repetidamente desde 9 de maio, um mês depois de apresentar a sua oferta. A justificação para este pedido prende-se com a necessidade de avaliar quantos dos 229 milhões de contas na rede social são falsas, adianta a Associated Press.

O magnata já tinha ameaçado em maio recuar no acordo caso não tivesse garantias quanto às contas falsas. "Ontem, o CEO do Twitter recusou-se publicamente a mostrar provas de há menos de 5%", na plataforma, escreveu Musk nessa mesma rede social. O magnata, com 94 milhões de seguidores no Twitter, comentava quanto à sua exigência para confirmar que menos de 5% das contas são falsas na rede social. "O acordo não pode avançar até que ele faça isto", completou.

Em resposta, o CEO do Twitter, Parag Agrawal, afirmou que a plataforma suspende mais de meio milhão de contas que parecem falsas a cada dia, geralmente antes mesmo de serem vistas, e bloqueia milhões de supostos utilizadores de contas que são controladas por um software. As análises internas revelam que menos de 5% das contas ativas num dia médio são classificadas como "spam", mas estas contas não podem ser replicadas por terceiros devido a requisitos de privacidade, afirmou Agrawal.

Musk — que afirma que os "bots" são uma praga no Twitter e que considera uma prioridade livrar-se deles caso assuma o controlo da plataforma — respondeu à explicação de Agrawal no Twitter com um emoji que representa um conjunto de fezes.

"Então como é que os anunciantes sabem o que estão a receber pelo seu dinheiro?", questionou Musk numa mensagem posterior sobre a necessidade de provar que os utilizadores do Twitter são pessoas. "Isso é fundamental para a saúde financeira do Twitter", adiantou.

Agrawal insistiu que o procedimento para calcular quantas contas são "bots" foi compartilhado com Musk.

Agora, os advogados do bilionário afirmam que o Twitter apenas se ofereceu para prestar detalhes sobre os métodos de testagem da empresa, o que "é o equivalente a recusar os pedidos de dados do senhor Musk". Ao fazê-lo, a rede social está a resistir aos direitos que protegem Musk no negócio de obter informação necessária para o mesmo ser finalizado, defende a sua equipa legal.

"Esta é uma violação material das obrigações do Twitter quanto ao acordo de fusão, e o senhor Musk reserva-se a todos os direitos em consequência disso, incluindo o direito de não consumar a transação e de terminar o acordo de fusão", lê-se na carta a que a AP teve acesso.

Em causa estará uma cláusula em que Musk se reserva a abandonar o acordo se houver um "efeito material adverso" provocado pela empresa — algo definido por qualquer tipo de mudança que afete as condições financeiras ou de negócio do Twitter.

No entanto, a maioria do peritos considera que o CEO da Tesla não pode unilateralmente interromper o negócio e que tal pode significar uma multa de mil milhões de euros.

O analista Dan Ives, da empresa Wedbus, afirmou num comunicado aos investidores que a questão das contas falsas está a complexificar o acordo de compra do Twitter. "A questão dos 'bots', no fim de contas, era conhecida até pelos taxistas de Nova Iorque e parece-nos mais a desculpa do 'cão que comeu os trabalhos de casa' para desistir do acordo do Twitter ou para obter um preço menor", destacou o analista.

De acordo com uma estimativa divulgada pela empresa de software SparkToro, 19,42% das contas do Twitter são falsas ou spam, embora a empresa reconheça que a sua metodologia para determinar os bots provavelmente é diferente da aplicada pelo Twitter.

De resto, a SparkToro tem uma ferramenta no seu site que mostra que mais de 70% dos seguidores de Musk são contas falsas.

Desde que fez a oferta de compra, Musk prometeu livrar o Twitter do spam, aperfeiçoar o sistema para autenticar os utilizadores e aumentar a transparência da plataforma.

Nesse mesmo dia, Musk anunciou que a sua equipa escolheria uma amostra aleatória de 100 utilizadores de contas oficiais do Twitter para verificar se eram reais ou não.

Musk, CEO da SpaceX e da Tesla é atualmente a pessoa mais rica do planeta, segundo a revista Forbes, com uma fortuna avaliada em 230 mil milhões de dólares.

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