Foi debaixo de chuva ininterrupta que cerca de 20 representantes de associações de micro e pequenas empresas de Portugal se manifestaram na Praça Carlos Alberto, na Baixa do Porto, para denunciarem, com discursos e com cartazes, que o Governo está a falhar nos apoios aos micro negócios.

“Faltam-nos os apoios que não chegam em devido tempo o que é muito gravoso da situação que existe neste momento para os diversos setores da economia nacional”, declarou o presidente da Confederação Portuguesa das Micro, Pequenas e Médias Empresas (CCPPME), Jorge Pisco, em entrevista aos jornalistas, lembrando que, para além da restauração e hotelaria, todos os outros setores da economia nacional, como os agentes de turismo, feirantes, cabeleireiros, barbeiros, construção de ‘stands’, entre outros, estão a “atravessar situações muito complicadas”.

Jorge Pisco voltou hoje a pedir ao Governo que seja criado ainda este ano um fundo de tesouraria para as micro e pequenas empresas, realçando que “é tarde” se o fundo de tesouraria só chegar para o final do primeiro trimestre de 2021, como “foi já aprovado em Orçamento de Estado para 2021”.

“Não é com os apoios que esperam que venham da Comunidade Europeia no próximo ano. São medidas neste momento. Estamos no final do ano. A situação é catastrófica. As empresas estão descapitalizadas, vão fechar, o desemprego vai aumentar e se o apoio não apoia neste momento vai ter de se dar subsídios de desemprego e a situação vai ser muito grave”, avisa aquele dirigente, recordando que desde 19 de março que avisaram o Governo sobre a necessidade de injetar nas empresas um fundo de tesouraria.

Segundo Jorge Pisco, as micro e pequenas empresas “tinham e têm necessidade de um fundo de tesouraria”.

“Existem milhares de empresários que estão neste momento com empresas encerradas a aguardar para saber se vão ou não fechar definitivamente o seu negócio. E aquilo que nós sabemos é que as empresas se não tiverem esses apoios certamente dentro de meses então encerram definitivamente as suas empresas e os seus trabalhadores irão para o desemprego”.

Em declarações à Lusa, Fernando de Sousa, presidente da Associação dos Cabeleireiros de Portugal, com 1.800 associados, relata que o setor da cabeleireiro, barbearia e institutos de beleza sentiu uma “diminuição acentuadíssima aos salões” e que se não tiver apoios do Governo urgentes vão ter de encerrar os negócios.

Não é falta dos clientes, é diminuição da sua ida mais assídua aos estabelecimentos. Por exemplo, uma cliente que ia de 15 em 15 dias, agora vai de dois em dois meses, explica, asseverando que seria “fundamental reduzir o IVA para 12 ou 13%” - o IVA atual é 23%.

“Se ele fosse para 12 ou 13% era uma ajuda espetacular”, considera Fernando Sousa.

Os cerca de 20 representantes de associações de micro e pequenas empresas de Portugal seguravam hoje nas mãos cartazes onde se podia ler “Eu vim porque isto é comigo”, “Redução do IVA”, “Redução das Rendas e impostos inerentes”, “Criação do Fundo de Tesouraria” e “Apoiar as Pequenas Empresas”.

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