Durante a apresentação do Observatório da Segurança Privada (OSP), as associações empresariais e organizações sindicais que o compõem, defenderam “uma separação clara” da segurança noite, uma vez que a sua função é diferente e “nada tem a ver” com as empresas de segurança privada.

“A atividade económica dos estabelecimentos de diversão noturna, que têm obviamente a sua segurança, devia estar claramente separada da segurança convencional”, disse aos jornalistas João Carlos Ferreira Lima, coordenador atual do OSP e diretor-geral da Associação de Empresas de Segurança (AES).

Ferreira Lima considerou que devia existir esta separação, uma vez que a segurança convencional é entendida como uma segurança complementar assegurada pelo Estado aos cidadãos.

“A segurança da noite contamina a segurança convencional, desde logo porque há algumas empresas que estão no negócio da segurança da noite e estão a invadir com más práticas a segurança convencional”, afirmou, adiantando que o Estado “parece não estar interessado” nesta separação.

Também Rui Cravina, membro da Associação Nacional das Empresas de Segurança (AESIRF) e administrador de uma empresa de segurança, defendeu que a “segurança da noite” devia ser tratada como um setor à parte e depender diretamente da PSP, como os guardas noturnos.

“A segurança da noite é muito específica e não tem nada a ver com o normal funcionamento de uma empresa de segurança privada”, disse, frisando que na última reunião do Conselho de Segurança Privada os sindicatos e empresas alertaram o ministro da Administração Interna para esta situação e adiantando que “continua haver por parte da tutela intenção em não se mexer nisso”.

Rui Cravina explicou que quando o Estado decidiu entregar às empresas de segurança privada a segurança dos bares e discotecas nenhuma empresa de segurança tomou conta da noite e foi considerado “um presente envenenado”.

“A segurança na noite tem que existir, eu não ponho em causa a segurança da noite. O que eu entendo é que a segurança da noite não tem nada a ver com a segurança tradicional das empresas de segurança”, disse.

Outro dos membros do Observatório, Luís Miguel Fernandes, da Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores de Serviços (FETESE), afirmou que “manter dentro da segurança privada os serviços de segurança noturna é um erro”.

“Gostaríamos que o legislador pudesse criar um enquadramento próprio para a segurança noturna e não esta miscelânea de empresas com práticas às vezes muito pouco recomendáveis”, sustentou.

O sindicalista referiu que “não está contra as empresas, mas sim contra as práticas”.

Luís Miguel Fernandes disse ainda que estas questões foram avançadas ao Governo para que fossem incluídas nas alterações à lei da segurança privada, mas não foram acolhidas, existindo apenas uma preocupação de reforçar os meios de ação inspetivas junto dos bares e discotecas.

A Associação de Empresas de Segurança, Associação Nacional das Empresas de Segurança, Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores de Serviços, Sindicato Nacional da Industria e da Energia e Sindicato dos Trabalhadores de Serviços de Portaria, Vigilância, Limpeza, Domésticas e Profissões Similares e Atividades Diversas preocupados com “a grave situação” que vive o setor da segurança privada decidiram juntar-se para criar o Observatório da Segurança Privada (OSP), que foi hoje apresentado

Na cerimónia estiveram presentes representantes das principais empresas de segurança privada, setor que totaliza um volume de negócios anual da ordem dos 700 milhões de euros e que empreguem aproximadamente 36 mil trabalhadores.

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