O rival, o banqueiro conservador Guillermo Lasso, não reconheceu derrota e exigiu uma recontagem após três sondagens o darem como vencedor, abrindo a porta a protestos e acusações de fraude eleitoral.

“Não somos parvos, nem o são os equatorianos”, disse Lasso, na rede de mensagens instantâneas Twitter, horas depois de ter reclamado vitória com base nos resultados das sondagens. “Vamos agir democraticamente e respeitando as autoridades, mas vamos defender firmemente a vontade do povo”, afirmou.

Com mais de 94% dos votos contados, a comissão eleitoral anunciou que Moreno, sucessor do Presidente de esquerda Rafael Correa, venceu Lasso por 51% contra 49% na segunda volta das presidenciais.

Milhares de apoiantes de Lasso gritaram “fraude” e quebraram barricadas metálicas para tentarem chegar à sede da comissão eleitoral em Quito, antes de serem afastados pela polícia. Confrontos semelhantes ocorreram junto dos gabinetes eleitorais em Guayaquil, onde Lasso votou.

Os apoiantes de Moreno celebraram o resultado e acusaram a oposição de tentar desmentir os votos.

O presidente da comissão eleitoral apelou à calma: “O Equador merece que os seus atores políticos mostrem responsabilidade ética e reconheçam a vontade democrática expressada pelas pessoas nas urnas. Nenhum voto foi dado ou tirado a ninguém”, disse Juan Pablo Pozo.

Três sondagens, incluindo uma que previu corretamente os resultados da primeira volta, mostravam que Lasso iria vencer por seis pontos percentuais. Uma contagem rápida dos votos por uma organização local concluiu que houve um empate técnico com uma diferença de menos de 0,6 pontos percentuais a separar os dois candidatos. O grupo não indicou qual candidato tinha vantagem.

“A fraude moral da extrema-direita não sairá incólume”, afirmou Correa no Twitter, referindo-se ao que Moreno chamou de sondagens enganadoras que mentiram ao rival.

Lasso tinha reclamado vitória e disse aos apoiantes em Guayaquil que iria libertar os presos políticos e sarar as divisões geradas nos dez anos de poder de Correa.

Antes das eleições, Lasso disse também que iria expulsar o fundador da WikiLeaks, Julian Assange, da embaixada do Equador em Londres no prazo de 30 dias após tomar posse. Já Moreno disse que iria permitir que permanecesse na embaixada.

Impulsionado pelos preços do petróleo, o Equador registou um crescimento económico sólido de 4,4% ao ano nos primeiros oito anos da presidência de Correa, caindo em recessão em meados de 2015.

Correa tem o apoio dos mais pobres, devido aos benefícios sociais que ajudaram a reduzir a pobreza de 36,7% para 23,3% naquele país de 16 milhões de habitantes. No entanto, enfrenta acusações de corrupção e de ter desperdiçado os lucros do petróleo.

Lasso, de 61 anos, conseguiu unir a oposição com a promessa de pôr fim às políticas em matéria de impostos e despesas e de criar milhões de postos de trabalho.

Lenin Moreno, de 64, tentou chamar para si a palavra ‘mudança’. “Teremos uma mudança, sim, mas uma mudança positiva, não uma mudança negativa, uma mudança em direção ao passado”, disse à agência noticiosa France Presse (AFP), antes das eleições.

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