O estudo, apresentado na Casa da Cultura de Marvão no final da semana passada, revela ainda que 75% desses freixos plantados junto à Estrada Nacional (EN) 246-1, em pleno Parque Natural da Serra de São Mamede (PNSSM), e classificados como árvores de interesse público pela sua dimensão e conjunto, têm as raízes “afetadas”.

“Há, neste momento, cerca de 40 árvores que nós entendemos que será de muito bom senso o seu rápido abate e eventual substituição por outras árvores”, alertou à agência Lusa Serafim Riem, responsável pela empresa Planeta das Árvores, especializada em arboricultura urbana e que elaborou o estudo para o município de Marvão.

Em relação ao estado das raízes das árvores, o especialista, que efetuou o trabalho de campo com a sua equipa durante o mês de junho, explicou que as mesmas estão afetadas e que “emitem sinais” através da parte aérea das árvores.

“As raízes, quando estão de alguma forma afetadas, emitem sinais na parte aérea [da árvore] e esses sinais são, antes de mais, a secagem dos ramos superiores das árvores”, explicou.

As árvores, segundo o especialista, “têm que ser alvo de uma intervenção de poda, que reduza a sua altura”.

“As podas não devem ser aquelas ‘carecadas’, mas a situação é tão problemática naquele núcleo de árvores” que se “exige, de facto, um fortíssima redução de copa” para que seja possível “preservar as que não são abatidas por mais algum tempo e com alguma segurança”, defendeu.

O autor do estudo de avaliação do estado biomecânico e fitossanitário dos 235 freixos de grande porte qualificou ainda como “perfeitamente ajustada” a intenção da Infraestruturas de Portugal (IP) de abater algumas das árvores, em fevereiro deste ano.

“As pessoas reagiram muito mal ao abate de cinco árvores, mas a IP só estava a fazer aquilo que lhe compete”, disse.

Em fevereiro, a Infraestruturas de Portugal esclareceu ter suspendido a operação de abate das árvores no próprio dia em que começou, por indicação da tutela.

Tratava-se de uma operação programada por as árvores “constituírem um perigo iminente” para a segurança dos automobilistas, disse a empresa, na altura, justificando que os freixos se encontravam “decrépitos, em mau estado de conservação e sem qualquer possibilidade de recuperação”.

A IP referiu ainda, em comunicado, que o PNSSM tinha autorizado o abate dos freixos e a realização de uma poda de manutenção e limpeza nas restantes árvores da EN 246-1.

Na altura, o deputado socialista Luís Moreira Testa disse ter "conseguido impedir" junto da tutela o que considerou ser "um atentado”.

Contactado pela Lusa, o presidente da Câmara de Marvão, Vítor Frutuoso, revelou que o estudo desenvolvido pela equipa de Serafim Riem já foi enviado ao Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e à Infraestruturas de Portugal.

“A primeira fase passa por dar a conhecer o resultado deste estudo e, depois, avançar de forma muito concertada entre o município, ICNF e IP”, disse.

O autarca, que está a preparar um dossiê para entregar a diversas entidades e que defende a conversão daquele espaço numa zona classificada como Património Municipal, argumentou que a autarquia “tem todo o interesse” em preservar aquele conjunto de árvores.

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