Delegações do PSOE (Partido Socialista Espanhol) e Unidas Podemos (coligação de partidos da extrema-esquerda) voltaram hoje a encontrar-se para tentar desbloquear o impasse na formação do Governo.

A porta-voz adjunta do Podemos no parlamento, Ione Belarra, manifestou a preocupação da sua formação após mais de quatro horas de reunião com o PSOE, criticando a posição "inamovível" dos socialistas que, segundo ela, continuam a insistir numa solução de "partido único" no Governo.

"Estamos sinceramente preocupados, porque se limitaram basicamente a apresentar-nos um programa eleitoral", disse Belarra no final do encontro.

Faltam 18 dias, até 23 de setembro, para o prazo-limite de dois meses que a Constituição espanhola confere aos grupos parlamentares para encontrarem uma solução para formar um Governo, depois da tentativa frustrada de investidura de Pedro Sánchez em 23 e 25 de julho últimos.

PSOE e Unidas Podemos vão continuar nos próximos dias as conversações iniciadas hoje depois das férias estivais, mas se o impasse se mantiver, o rei Felipe VI deverá marcar eleições para 10 de novembro próximo, as quartas legislativas no espaço de quatro anos.

O secretário-geral do Unidas Podemos, Pablo Iglesias, já tinha avisado esta manhã que o seu partido continua a exigir ao PSOE uma coligação governamental com lugares ministeriais, nomeadamente nos ministérios do Trabalho e da Transição Energética.

O líder da extrema-esquerda espanhola reagiu assim à oferta feita pelos socialistas de lugares de direção em instituições do Estado, como o Centro de Investigação Sociológica (CIS, estudos sociológicos) ou a Comissão Nacional do Mercado de Valores (CNMV).

“Não queremos que haja políticos no CIS, queremos que haja profissionais de reconhecido prestígio”, disse Pablo Iglesias.

O dirigente do Unidas Podemos defendeu que algumas das 370 medidas propostas “já foram aprovadas no Congresso dos Deputados [parlamento]” e insistiu na necessidade de governar de forma conjunta.

Pedro Sánchez apresentou na terça-feira passada uma proposta com 370 medidas para tentar convencer a coligação de extrema-esquerda a dar o seu apoio parlamentar a um executivo da exclusiva responsabilidade do PSOE.

O Unidas Podemos exige fazer parte do Governo, enquanto o PSOE recusa esta possibilidade, preferindo apenas ter um acordo de apoio parlamentar com a coligação de partido de extrema-esquerda, uma solução “à portuguesa” como é denominada em Espanha.

Pedro Sánchez ofereceu ao Unidas Podemos “altas responsabilidades” em instituições de Estado, mas com os membros do Unidas Podemos a continuarem fora do Conselho de Ministros.

A proposta dos socialistas cobre uma série de setores que são caros à extrema-esquerda, como políticas que defendem uma maior justiça social, fiscal e ecológica.

Entre as medidas avançadas, o PSOE compromete-se a derrogar “os aspetos mais lesivos da reforma laboral”, garantir constitucionalmente a atualização da reforma com o aumento da inflação e uma reforma penal para assegurar mais direitos para as mulheres.

O PSOE foi o partido mais votado nas eleições de 28 de abril último, mas com menos de 30% dos votos precisa do apoio de outras formações políticas, sendo essencial a do Unidas Podemos.

O parlamento espanhol chumbou em 23 e 25 de julho último a recondução de Pedro Sánchez, com o Unidas Podemos a abster-se nessa votação exatamente pelas mesmas razões que hoje levaram a opor-se à proposta dos socialistas.

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