“Não basta ambicionar para conseguir resultados, é preciso tomar medidas concretas e corajosas que podem ser pouco apreciadas no início, mas que contribuirão, num futuro próximo, para a descarbonização, independência energética, sustentabilidade ambiental e financeira do país”, diz a Quercus em comunicado.

A posição surge a propósito da divulgação, hoje na cimeira sobre o clima que decorre em Madrid, do chamado “Climate Change Performance Index2020” (CPI), segundo o qual Portugal caiu oito posições, estando agora na 25.ª e passando de uma posição alta para uma posição média. No entanto Portugal é o melhor classificado nas políticas climáticas.

A avaliação, divulgada na conferência das Nações Unidas sobre alterações climáticas, é da responsabilidade da associação de defesa do ambiente alemã Germanwatch, do NewClimate Institute e da Rede Europeia para a Ação Climática.

A Quercus nota, no comunicado, que embora a posição corresponda ao 22.º lugar, porque os primeiros três lugares do pódio permanecem vazios por ainda nenhum país se encontrar num caminho compatível com as metas do Acordo de Paris, “esta é a pior classificação de sempre” para o país.

A nível global o documento também refere que o consumo de carvão está a decrescer e que continuam a aumentar as energias renováveis.

A União Europeia, enquanto bloco de países (representa 09% das emissões globais), desceu seis posições desde o ano passado. No comunicado a Quercus diz que “é crucial a implementação de uma estratégia de longo prazo para alcançar a neutralidade climática até 2050”, e nota que embora a maioria dos países classificados com desempenho elevado pertençam à UE (oito), há outros oito com desempenho baixo e dois muito baixo (Bulgária e Polónia).

O CPI, Índice de Desempenho das Alterações Climáticas, pretende colocar pressão política e social sobre os países que não tomaram medidas ambiciosas para proteção climática e destacar os que têm melhores práticas. Avaliou 57 países e a União Europeia, que no total são responsáveis por mais de 90% das emissões de gases de efeito de estufa.

Na análise do Índice outra organização ambientalista, a Zero, nota que a queda na lista foi amplificada pelos efeitos das alterações climáticas (incêndios e secas). E salienta que comparativamente com Espanha o país está nove lugares acima (Espanha na posição 34).

“A revisão recentemente operada da política florestal é considerada um elemento fundamental para o futuro, mas ainda uma incógnita no que respeita aos resultados efetivos. Os especialistas elogiam Portugal por defender ações climáticas ambiciosas, a nível nacional e da União Europeia no que respeita às metas de 2030 e 2050. A intenção de Portugal continuar a viabilizar o início da exploração de gás natural na região de Leiria é um aspeto negativo infelizmente ainda a ser considerado”, diz a Zero em comunicado.

Lembrando que os países com pior classificação são os Estados Unidos, a Arábia Saudita e a Austrália, a Zero diz que a avaliação mostra que os grandes poluidores climáticos “dificilmente fazem alguma coisa pela mudança transformacional necessária para reduções profundas de emissões para evitar alterações climáticas potencialmente irreversíveis”.

E deixa ainda outra nota: “Se se considerasse no índice o financiamento climático e o apoio a perdas e danos pelas nações mais ricas aos países mais pobres, os vários países europeus de escalão alto teriam um desempenho muito menor nas suas pontuações”.

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