A hipótese foi levantada esta quinta-feira pelo presidente do Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos, Alexandre Valentim Lourenço, numa entrevista ao Diário de Notícias.

"Se nós de repente tivermos um surto de cem casos em Faro ou em Portimão vamos ter de fechar o Algarve", afirmou.

Valentim Lourenço explica que a região não tem recursos humanos suficientes para lidar com uma situação como a que está a acontecer em Lisboa e Vale do Tejo.

"A minha preocupação com a abertura de uma área turística está relacionada com o facto de as estruturas de saúde pública serem ou não capazes de lidar com os desafios para conter a infeção", reiterou.

Contudo, a Autoridade Regional de Saúde (ARS) já veio discordar desta afirmação e alega que as declarações são "alarmistas".

"Neste momento, a situação da pandemia e da epidemia em Portugal não está completamente controlada, é verdade, mas estamos numa fase descendente da curva. Podemos vir a ter uma segunda onda, como outros países onde a doença existe, mas se essa onda vai ser maior ou menor, ninguém sabe e ninguém é capaz de prever", contrapôs Paulo Morgado, presidente da ARS, sublinhando que "o Algarve tem capacidade de resposta" tal como "teve para a primeira onda" da pandemia, pois "nunca esteve perto de esgotar a capacidade instalada" para tratar os doentes infetados.

(No entanto, de acordo com o coordenador regional do Sindicato dos Enfermeiros ao PÚBLICO, a Urgência de Portimão está "a rebentar pelas costuras".)

A resposta dos municípios não se fez tardar e o presidente da Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL) acusou a Ordem dos Médicos de ser "alarmista" sobre a capacidade de resposta regional a eventuais surtos de covid-19 e enalteceu a atuação das autoridades regionais no surto de Lagos — que teve origem numa festa ilegal com mais de 60 pessoas, segundo o autarca local.

"Apesar de o surto [de Lagos] ter tido efeito maior que qualquer episódio até agora, as situações estão identificadas, os contactos estão definidos, as pessoas estão controladas e faz parte do processo de desconfinamento [surgirem situações como esta]", afirmou António Miguel Pina, em declarações à Lusa.

Já o Bastonário da Ordem dos Médicos tentou colocar alguma água na fervura e indicou que qualquer decisão terá de ser tomada pelas autoridades da saúde.

"A questão da cerca sanitária é uma decisão que tem de ser tomada pela diretora-geral da Saúde com o Ministério da Saúde e ouvindo os autarcas", disse Miguel Guimarães durante a sua visita esta manhã ao Hospital de São João, no Porto.

No entanto, salientou que o "Algarve é a imagem do país lá fora, é o local que provavelmente irá ter mais turistas estrangeiros".

"As medidas de reforço têm de ser grandes (...). Se as pessoas cumprirem, o vírus terá muita dificuldade em se propagar. No Algarve temos de insistir ainda mais nisto com uma campanha muito, muito, forte", rematou Miguel Guimarães.

E fez questão de repetir mais do que uma vez: a pandemia ainda não acabou.

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