"Não posso nunca concordar com aqueles que preferem ver o PSD com um carimbo que eu acho que não faz parte da sua génese, do seu ideário e que eu prefiro que tenha pior resultado nas eleições do que tivesse melhor com um rótulo que eu acho que não lhe assenta", afirmou a ex-ministra das Finanças de Durão Barroso no programa da rádio TSF Pares da República, gravado na terça-feira à noite.

Na véspera do início da Convenção do Movimento da Europa e Liberdade (MEL), que junta várias figuras do PSD conotadas com a ala adversária da liderança de Rui Rio, bem como os presidente da Aliança e do CDS, Santana Lopes e Assunção Cristas, Manuela Ferreira Leite não poupou nas palavras, chegando a manifestar "algum desprezo" pela iniciativa.

"Acho que todo este tipo de movimentos que se baseiam em questões de natureza pessoal e muito marcados pela futura próxima constituição de listas para deputados merecem-me algum desprezo", assumiu a ex-dirigente social-democrata, para quem "é óbvia" a relação entre a Convenção do MEL e as próximas eleições. "É agora ou nunca! Quando estiverem feitas as listas já as pessoas todas se desinteressam e só acordam daqui a quatro anos", argumentou.

Manuela Ferreira Leite aproveitou para reiterar a oposição a todos os que pretendem 'puxar' o PSD para a ala direita do espetro político, situando a Convenção do MEL nesse espaço de oposição à atual liderança do PSD.

"Penso que é um movimento de muito curto-prazo, efetivamente tem muito a ver com a oposição ao Rui Rio e pessoalmente sempre defendi que o PSD tinha adquirido um rótulo de direita do qual sempre discordei e que se tivesse alguma forma de combater teria combatido, salientou.

No programa da TSF, também Francisco Louçã, ex-coordenador do Bloco de Esquerda, situou o MEL no espaço de oposição a Rui Rio, chegando a compará-lo ao movimento de direita 'Tea Party' nos Estados Unidos.

"É um pouco uma tentativa, e não é a primeira nem será a última de Tea Party, uma força de opinião que depois entra num partido tradicional, neste caso seria o PSD, claro que o CDS vai à boleia, tem uma disputa com Rui Rio e portanto quer aproveitar esse espaço e vai por essa razão", sustentou Louçã.

Na terça-feira à noite, na Sic-Notícias, o presidente e líder parlamentar do PS, Carlos César, tinha também classificado a Convenção como um movimento de oposição a Rui Rio, chegando a brincar com a sigla ao afirmar que, do ponto de vista da atual liderança do PSD, "não é MEL, é FEL".

Na sexta-feira passada, fonte do PSD disse à Lusa que Rui Rio rejeitou o convite para participar na Convenção do MEL devido à presença de muitos oradores do PSD que se têm dedicado "à destabilização" interna.

A 1.ª Convenção da Europa e da Liberdade, que se realiza quinta e sexta-feira, em Lisboa, tem suscitado alguma polémica após o eurodeputado socialista Francisco Assis e o ex-deputado independente da bancada do PSD Paulo Trigo Pereira terem declinado o convite para participarem, já depois de os seus nomes terem estado no programa. A presença do ex-líder do PS António José Seguro também chegou a ser noticiada, mas acabou por não se confirmar.

Em declarações à agência Lusa na quinta-feira, o presidente do MEL, Jorge Marrão, revelou que Rui Rio também tinha sido convidado, mas até então o movimento não tinha "nenhuma resposta".

Contactada pela Lusa, fonte oficial do PSD garantiu que o MEL já foi informado da recusa do convite há quase um mês, concretamente no dia 07 de dezembro de 2018.

Entre os motivos para Rui Rio não participar nesta convenção estão, segundo a mesma fonte, o facto de este ser um movimento que se assume claramente como de direita e "em oposição à linha ideológica seguida pela atual direção", com uma agenda própria, participando nesta convenção muitos participantes "focados na luta partidária" e opositores da atual liderança de Rui Rio, que têm dedicado grande parte da sua atuação política "à destabilização do partido".

O PSD, acrescenta ainda, tem fóruns próprios de discussão interna para debater as questões estruturais do país.

A convenção deverá juntar várias figuras do centro-direita português, casos da atual e do antigo presidente do CDS-PP, Assunção Cristas e Paulo Portas, respetivamente, do líder do partido Aliança, Pedro Santana Lopes, do ex-líder parlamentar do PSD Luís Montenegro e do antigo presidente do PSD Luís Marques Mendes.

Concretamente sobre o movimento, Jorge Marrão considerou que este "tem um papel ambivalente" porque "quer ser escrutinador do regime democrático, mas ao mesmo também quer ajudar os próprios partidos para que eles possam fazer um diálogo diferente com o eleitorado".

"O eleitorado, por razões conjunturais, não percebe que há reformas que têm que ser executadas sob pena de perdermos uma oportunidade para o país", avisou.

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