Seja qual for o resultado do referendo de 23 de junho sobre a permanência do Reino Unido, algo irá mudar no bloco europeu.

Os representantes de vários países europeus, entre eles Alemanha, França e Itália, reuniram-se discretamente em maio, em Bruxelas, com Martin Selmayr, diretor de gabinete do chefe da Comissão Europeia Jean-Claude Juncker, para preparar o "dia seguinte" ao referendo britânico, segundo confidenciou uma fonte que pediu para não ser identificada.

"O tema era, principalmente, a comunicação, o que oficialmente uns dirão aos outros, e como dirão", acrescentou a fonte, assegurando que não houve, no entanto, discussões de fundo sobre as consequências do referendo.

Questionado sobre este tipo de reunião, um porta-voz do governo alemão preferiu não fazer comentários. "Não posso confirmar ou negar se ocorreram tais reuniões confidenciais", afirmou Hans-Georg Streiter.

A próxima grande reunião, desta vez oficial, já está na agenda: trata-se da cimeira de chefes de estado e de Governo da UE, que foi adiada para 28 ou 29 de junho, dias depois do referendo. As consequências da votação deverão constar da ordem de trabalhos.

Projeto franco-alemão

No entanto, outra fonte anónima afirma que Paris e Berlim já começaram a estabelecer as bases de uma iniciativa conjunta, depois de aparentemente se terem dedicado nos últimos meses a um esboço de soluções para a crise existencial que a Europa atravessa.

Segundo esta fonte, um projeto comum, de conteúdo ainda desconhecido, está a ser discutido. "Temos que contar com uma mensagem política, um método, um calendário", afirmou um alto dirigente europeu, defendendo a iniciativa franco-alemã. Este possível projeto seria focado na segurança, mas também daria perspectivas aos mais jovens e não se limitaria à zona euro, acrescentou.

O alcance desta iniciativa é ainda pouco claro. Nada foi dado a ententer durante o encontro, no último fim de semana de maio em Verdun, França, entre o presidente francês François Hollande e a chanceler alemã Angela Merkel, que se reuniram para recordar o centenário de uma das batalhas mais violentas da Primeira Guerra Mundial.

Os dois dirigentes encontraram-se num almoço de trabalho para discutir a crise migratória, mas o tema do Reino Unido certamente esteve na agenda da reunião.

Enquanto isso, à espera de dados mais concretos, diplomatas e funcionários europeus receberam orientações para manter uma postura discreta, especialmente perante a imprensa. E, alegadamente, em função de uma possível mudança, foi pedido aos juristas que trabalham nas instituições europeias que adiem os seus planos de férias no mês de julho.

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