A investigação, diz o jornal espanhol El País, indica que Gabriel morreu no mesmo dia em que desapareceu, 27 de janeiro. Nesse dia, Gabriel saiu da casa da sua avó paterna, Carmen, em Las Hortichuelas, uma pequena aldeia no município de Níjar, para ir à casa dos primos. As duas casas são separadas por apenas 100 metros. A avó ficou à porta de sua casa e viu a criança a percorrer pelo menos 80 metros do caminho, a distância máxima a que o conseguia ver. A criança, nos 20 metros restantes, terá desaparecido, nunca tendo chegado à casa dos primos.

Neste domingo, o corpo de Gabriel Cruz foi encontrado no porta-bagagem de Ana Julia Quezada, a namorada do seu pai. O corpo estava coberto de lama, despido e enrolado num cobertor, como indica o El País.

Segundo o jornal, Ana terá deixado o pai de Gabriel, Ángel Cruz, num hotel em Las Negras, 12 dias depois do desaparecimento da criança, localizado a três quilómetros de distância de Las Hortichuelas. Depois, conduziu até Rodalquilar, a 5 quilómetros de distância do local do crime, em direção a uma fazenda da família, conhecida como a “La Cañada de Soledad”. Foi aqui que o corpo, indicam os investigadores, foi retirado de um poço, enrolado num cobertor e colocado no porta-bagagem.

Já com o corpo no carro, Ana conduz até Puebla de Vícar, a cerca de 74 quilómetros de distância, onde vivia com o pai de Gabriel. Assim que tenta entrar na garagem da casa, Ana é interceptada pela Guarda Civil e é detida. Ana explicou à polícia que transportava o cadáver com medo que alguém o encontrasse no poço onde ele estaria escondido.

Ana Júlia é, assim, a única suspeita da morte do menino de 8 anos. Contudo, diz o jornal El Español, a Guarda Civil já desconfiava de que Ana estivesse envolvida no desaparecimento de Gabriel. Primeiro, porque existiram contradições no seu testemunho, e depois porque, no dia 3 de março, entregou uma camisola branca interior da criança, a fim de ajudar nas operações, que disse ter sido encontrada na Barranca Las Águilas, a cerca de 3,5 quilómetros do local. Este local, segundo as autoridades, já tinha sido minuciosamente percorrido em busca de pistas de crime e nada terá sido encontrado.

Após a detenção de Ana, a polícia revelou que a sua filha, de 4 anos, terá falecido, em 1996, ao ter caído de uma janela.

O primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, escreveu no Twitter as suas condolências. “Partilho com todos os espanhóis a dor de perder Gabriel. Descanse em Paz”.

O desaparecimento de Gabriel mobilizou Espanha. Uma fotografia da criança a sorrir tornou-se viral, tanto através da partilha da comunicação social como das próprias pessoas nas suas redes pessoais. Foi criada um hastag #TodosSomosGabriel para apoiar a investigação do desaparecimento do caso, ainda antes de ser encontrado o corpo. Em Purchena, cerca de 8 mil pessoas se juntaram na rua a manifestar solidariedade com os pais da criança.

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