“Esta é uma marcha contra o assédio e a violência sexual, contra a culpabilização das vítimas pelos crimes que sofrem, no fundo, contra esta cultura da culpabilização da vítima do assédio. Estamos numa sociedade que em vez de apontar o dedo ao agressor, tenta procurar na vítima uma culpa que ela não tem”, explicou Carolina Marcello.

Com encontro marcado na Praça Carlos Alberto às 22:30, a ‘Marcha das Galdérias’ vai, pelo sétimo ano consecutivo, passar pelas zonas mais agitadas da noite do Porto.

“Saímos sempre à noite e saímos pela zona dos bares do Porto. Começamos na Praça Carlos Alberto, passamos pelos Leões, Rua das Galerias, zona de Ceuta, ou seja, pelos sítios onde está a diversão noturna, porque também nos próprios espaços de diversão existe o assédio”, frisou.

Carolina Marcello referiu que a marcha, que tem como objetivo “reclamar o direito à cidade, a sair à noite e andar na rua, sem que isso implique ser assediada”, pretende consciencializar as pessoas para o facto de o assédio não ser “uma coisa normal ou banal”.

Quanto ao número de pessoas que se vão juntar à ‘Marcha das Galdérias’, Carolina Marcello afirmou ser ainda “incerto”, pois “há muitas pessoas que se identificam com a causa, mas nem todas gostam de sair à rua e dar a cara”.

A organizadora admitiu ainda que, apesar “da violência sexual ser mais dirigida às mulheres”, também há homens a participar, salientando que se trata de “uma questão transversal à sociedade” onde “todas as pessoas podem ser assediadas e todas podem ser assediadoras”.

“Ninguém tem de nos ditar como devemos de ser para sermos pessoas decentes. Temos a liberdade de sermos da maneira que nos sentirmos mais confortáveis”, acrescentou.

A ‘SlutWalk – Marcha das Galdérias’ surgiu em 2011 em Toronto, Canadá, depois de um agente da polícia ter afirmado que as mulheres deveriam evitar vestir-se como “galdérias” para não serem vítimas de assédio sexual.

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