"Ganhe quem ganhar, a nível municipal, nada vai mudar. O desleixo tem sido o mesmo, quando ganha alguém da oposição ou do Governo, na atenção a coisas básicas como a recolha de lixo, tapar os buracos das ruas, combatendo a criminalidade. Aqui o que parece importar é ter poder político, mais nada", disse uma portuguesa à Agência Lusa.

Maria Margarida Andrade, doméstica, 50 anos, referiu, como exemplo, o Município Libertador, o maior de Caracas e presidido pelo atual ministro de Comunicação e Informação, Jorge Rodríguez, onde "há lixo por todas as partes, problemas de água, problemas com vendedores, de trânsito e de criminalidade, e que no passado já esteve em mãos da oposição" cuja gestão também desaprovou.

A situação, segundo esta portuguesa, agravou-se nos últimos tempos, no transporte de passageiros, onde "a falta de peças de reposição tem obrigado muitos motoristas a pararem os autocarros, causando o caos e grandes filas nas paragens" num país onde os passageiros viajam de pé e muitas vezes de maneira perigosa, pendurados nas portas.

"A situação está sempre a mudar, para pior. Agora não temos tempo para nada, porque passamos horas na fila para comprar o pão, o leite, os vegetais, procurar farinha de milho, arroz, açúcar e outras coisas que desaparecem frequentemente dos supermercados", explicou.

Contrariada, a portuguesa lembra ainda que o pagamento com cartões de crédito e de débito "está cada vez mais complicado, os vendedores têm que tentar 'passar' os cartões várias vezes, enquanto as filas crescem" nas lojas, dificultando o dia a dia das pessoas.

"Um dia estive mais de uma hora em fila para pagar uma coisa de que precisava. Foi preciso 'passar' o cartão três vezes porque o sistema colapsou, e, para rematar, não há dinheiro nos bancos, que dão 50 mil bolívares (3,74 euros) em notas, uma vez por semana e depois de um longo tempo de espera", disse, precisando que um quilo de massa custa à volta de 40 mil bolívares (aproximadamente três euros).

Vários portugueses disseram à Agência Lusa estarem ainda indecisos sobre se irão votar, insistindo que há uma cada vez maior falta de credibilidade nos políticos, pioram as condições de vida e o dia a dia está a transformar-se numa luta constante para conseguir coisas básicas e medicamentos.

No entanto, segundo a venezuelana, Yajaira Medina, 48 anos e empregada de uma padaria, é importante que todos votem "e sobretudo que a oposição deixe o Governo trabalhar, que termine com a guerra económica e entenda que o socialismo veio para ficar".

"Não votar é entregar-se à oligarquia", frisou, admitindo que as condições de vida "se deterioraram muito" e que "as coisas estão muito caras", mas sublinhando que os venezuelanos estão "a romper com o velho Estado capitalista, burguês" e que "em breve, uma vez que o socialismo domine também a economia, tudo vai ser diferente".

Ainda assim, reclama que o Governo tem que ser mais duro no combate à especulação e cita, por exemplo, que uma garrafa de leite custa 60 mil bolívares (4,40 euros), quase 30% do salário mínimo integral dos venezuelanos, mas cujo preço já vem marcado desde a fábrica.

Nas eleições de domingo, segundo o Conselho Nacional Eleitoral, podem participar 19.740.846 eleitores venezuelanos e 226.285 estrangeiros radicados no país, este último um número pequeno, comparado com os milhões de portugueses, espanhóis, italianos, colombianos, peruanos, entre outros, que vivem no país, muitos dos quais possuem também dupla nacionalidade.

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