“Admitimos que este incêndio - é necessário dizê-lo com realismo - possa envolver mobilização do dispositivo até terça ou quarta-feira, fazendo uma monitorização permanente do nível de resposta”, declarou Eduardo Cabrita, no final de uma reunião do Centro de Coordenação Operacional Nacional (CCON), na sede da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), em Carnaxide, concelho de Oeiras, distrito de Lisboa.

Relativamente a este fogo que lavra em Oleiros, Sertã e Proença-a-Nova, o governante disse que “estão mobilizados todos os recursos necessários”, que se consideram “adequados a um incêndio de grande complexidade”.

“Estão, neste momento, no terreno mais de sete centenas de operacionais, 14 meios aéreos e oito máquinas de rasto já em operação”, avançou o ministro da Administração Interna, em declarações aos jornalistas, pelas 12:00.

De acordo com Eduardo Cabrita, “a prioridade é a salvaguarda da vida humana, com a realização das evacuações que se vieram a demonstrar necessárias”.

Assim, o governante adiantou que está, desde sábado, “em contacto muito próximo”, com os presidentes das Câmaras Municipais de Oleiros, Sertã e Proença-a-Nova, considerando que existe “uma plena conjugação na resposta, quer operacional, quer no apoio às populações”.

“Estamos a colocar todos os esforços na contenção do incêndio e na proteção das populações, fazendo o combate de trás para a frente e nos flancos onde esse combate é tecnicamente viável”, referiu o titular da pasta da Administração Interna.

O governante indicou ainda as condições meteorológicas previstas para esta região de Castelo Branco, com “temperaturas que poderão vir hoje até 43 graus, ventos superiores a 65 quilómetros/hora e níveis de humidade muito baixos”.

Sobre a morte do bombeiro Diogo Dias, de 21 anos, do corpo de Bombeiros Voluntários de Proença-a-Nova, na sequência de um acidente de viação na deslocação para o combate a este incêndio, em que ficaram feridos mais quatro operacionais, o ministro da Administração Interna voltou a manifestar “consternação, solidariedade, reconhecimento pela capacidade de dedicação extrema mais uma vez testemunhada pelos bombeiros portugueses”.

“Marca-nos a todos e motiva-nos também para homenageá-lo, respondendo ativamente a esta ocorrência”, declarou o governante.

Eduardo Cabrita realçou ainda “o sentido patriótico e de coragem dos bombeiros de Proença-a-Nova que, mesmo nesta situação trágica, disseram presente e estão hoje entre os 700 que estão, neste momento, a combater o incêndio de Oleiros, Sertã e Proença-a-Nova”.

Questionado sobre a abertura de um inquérito, o titular da pasta da Administração Interna adiantou que “sempre que há morte de operacionais, tal como relativamente a todos os incêndios de grande dimensão, é feito um inquérito técnico pela autoridade envolvente e todas as entidades parceiras”.

“As indicações que temos é que se tratou de um capotamento quando se deslocavam para o teatro de operações num quadro de combate, mas num trágico acidente de viação”, referiu o ministro, desejando a recuperação aos outros quatro bombeiros feridos nesse acidente, relativamente aos quais há “notícias genericamente positivas”.

Considerando que os bombeiros têm a consciência do risco da sua atividade, Eduardo Cabrita revelou que “todo o equipamento estava intacto relativamente aos afetados por este acidente”.

Por volta das 19:00 de hoje está prevista um novo ponto de situação sobre a evolução do combate a este incêndio, com o comandante Distrital de Operações de Socorro de Castelo Branco, Luís Belo Costa.

Numa conferência de imprensa hoje de manhã, o comandante Luís Belo Costa disse que o incêndio que começou no sábado em Oleiros, e que tirou a vida um bombeiro e fez seis feridos, alastrou para uma zona com pequenas aldeias.

“Temos verificado mais uma vez nos últimos dias que grande parte dos incêndios são evitáveis. Nesta semana, o incêndio de Vale de Cambra começou com um churrasco, incêndio de Vila Flor no sábado começou com trabalhos agrícolas, outros incêndios também fruto de atividades absolutamente evitáveis”, afirmou o ministro Eduardo Cabrita na sede da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (AENPC), em Carnaxide, Oeiras.

Nesse sentido, foi determinado que serão “proibidos todos os trabalhos em espaço rural, exceto os de combate a incêndios florestais e a garantia da alimentação dos animais, pelo menos até às 24:00 da próxima terça-feira”.

Questionado sobre as previsões meteorológicas para os próximos dias, avançadas pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), o ministro da Administração Interna indicou que a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil está a avaliar a situação para que o Governo decida sobre a declaração de alerta.

“A situação está a ser avaliada pela ANEPC, tendo em conta que o IPMA, relativamente a segunda e terça-feira coloca cerca de 170 municípios do continente, isto é quase dois terços dos municípios do continente [território continental], num nível máximo ou muito elevado de risco de incêndio rural”, declarou Eduardo Cabrita, explicando que a Proteção Civil está a avaliar os níveis de alerta operacional adequados.

Sobre a situação de alerta que pode vir a ser declarada pelo Governo, o ministro da Administração Interna lembrou que “permite mobilizar recursos, dispensar de trabalho todos os bombeiros voluntários, colocar num nível de prontidão máximo todas as entidades do sistema e, fundamentalmente, proibir atividades de riscos”.

“Não é só serem desaconselhadas, pirotecnia, trabalhos agrícolas com máquinas, uso do fogo na floresta são crime e serão tratados como tal pelas entidades com responsabilidade pela vigilância, a começar pela Guarda Nacional Republicana (GNR)”, alertou o governante.

Segundo o IPMA, 54 concelhos do interior Norte, do Centro, Alentejo e Algarve estão hoje em risco máximo de incêndio, designadamente municípios dos distritos de Bragança, Guarda, Viseu, Castelo Branco, Leiria, Santarém, Portalegre e Faro.

Os distritos que estão hoje com o maior número de concelhos em risco máximo de incêndio são os de Guarda, com 12 (Vila Nova de Foz Côa, Trancoso, Pinhel, Almeida, Fornos de Algodres, Aguiar da Beira, Mêda, Figueira de Castelo Rodrigo, Guarda, Celorico da Beira, Sabugal e Manteigas) e Castelo Branco, com 10 (Belmonte, Covilhã, Penamacor, Fundão, Oleiros, Castelo Branco, Sertã, Vila de Rei, Proença-a-Nova e Vila Velha de Ródão).

Em risco reduzido estão 31 municípios dos distritos de Braga, Porto, Leiria, Aveiro, Coimbra, Lisboa e Setúbal.

O risco de incêndio é determinado pelo IPMA e tem cinco níveis: máximo, muito elevado, elevado, moderado e reduzido).

Os cálculos são obtidos a partir da temperatura do ar, humidade relativa, velocidade do vento e quantidade de precipitação nas últimas 24 horas.

A Proteção Civil alertou na quinta-feira para o aumento do risco de incêndio, a partir de sexta-feira, para níveis "máximo ou muito elevados" nas regiões do Norte, Centro, Vale do Tejo, Alentejo e Algarve e para "elevado" no restante território do Continente.

Num aviso à população emitido na quinta-feira, a ANEPC dava conta das medidas preventivas, como a proibição das queimas e queimadas sem autorização, utilização de fogareiros e grelhadores em todo o espaço rural, fumar ou fazer qualquer tipo de lume nestes locais, lançar balões de mecha acesa e foguetes. O uso de fogo-de-artifício só é permitido com autorização das câmaras municipais.

Ministro destaca “grande profissionalismo” do sistema de combate

O ministro da Administração Interna destacou hoje o “grande nível de profissionalismo” do sistema de combate a incêndios, com mais de 2.200 fogos registados em julho, considerando que “é um combate de todos os portugueses”, inclusive no ordenamento florestal.

“O ordenamento florestal é uma responsabilidade de todos os portugueses e tem a ver com uma dimensão de transformação da floresta que tem de ser prosseguida todos os dias e levará a anos de intervenção. Essa é a prioridade”, declarou Eduardo Cabrita.

O ministro da Administração Interna respondia a questões sobre as declarações do presidente da Câmara Municipal de Oleiros, Fernando Jorge, que disse que o incêndio que deflagrou no sábado neste concelho do distrito de Castelo Branco está a arder numa área que foi atingida pelo fogo de 2003, que, entretanto, "cresceu desordenadamente e estava já um pinhal denso e forte".

Na perspetiva de Eduardo Cabrita, o ordenamento florestal “é o grande desafio”, indicando que, neste momento, a situação está “verdadeiramente na última linha da resposta e a prioridade, essa, é o combate”.

“Mas digo sempre, ao longo de todo o ano, que o desafio essencial – e está a ser feito – é a mudança da floresta, é a responsabilidade de todos, dos proprietários, dos agentes que atuam na floresta e, por isso, é o combate que tem de ser feito ao longo do ano, não é certamente nesta altura”, afirmou o titular da pasta da Administração Interna.

O fogo que deflagrou no sábado em Oleiros e alastrou aos concelhos vizinhos de Sertã e Proença-a-Nova, no distrito de Castelo Branco, está a ser hoje combatido por mais de 700 operacionais, apoiados por 14 meios aéreos e oito máquinas de rasto, informou o ministro da Administração Interna, em declarações aos jornalistas, ressalvando que, “neste momento, a prioridade é para o combate e para a defesa da segurança das populações”.

“É essa a razão por que costumo dizer, entre outubro e o verão seguinte, que este tema tem de continuar, o cadastro é essencial à atuação responsável de todos os proprietários florestais, que é decisiva, sendo que há intervenções que assumiram prioridade, mas que não têm resultados numa dimensão de curto prazo”, indicou Eduardo Cabrita.

Neste âmbito, o governante manifestou “solidariedade com o grande nível de profissionalismo e de resposta de todo o sistema”.

“Só isso tem permitido que, com mais de 2.200 incêndios no mês de julho, com condições meteorológicas muito difíceis há cerca de 10 dias, até hoje só soldados da paz tenham sido vítimas naquilo que são combates terríveis em que estão na primeira linha. Mas este é um combate de todos os portugueses”, avançou o ministro da Administração Interna, lembrando, assim, a morte de três bombeiros durante este ano no âmbito do combate a incêndios.

De acordo com Eduardo Cabrita, há registo, nos últimos dias, de uma dimensão “muito significativa” de incêndios rurais, com “uma média de 120 incêndios por dia ao longo deste mês de julho, sobretudo nos últimos 10 dias”.

No sábado, registaram-se “123 incêndios, com a participação de 4.400 operacionais e com 103 intervenções de meios aéreos”, revelou o governante, acrescentando que houve “incêndios de dimensão significativa, dois em Ponte de Lima, um em Vinhais, outro em Vila Flor, que foram todos dominados ao final do dia ou durante a noite”.

Neste sentido, o ministro realçou a capacidade operacional, relativamente aos mais de 2.000 incêndios que se verificaram já durante o mês de julho, que tem permitido “um empenho muito elevado do dispositivo, uma resposta imediata”.

“O que é fundamental, nestas circunstâncias, é exatamente o reconhecimento deste papel que justifica todo o investimento que deve ser feito na prevenção, para que se possa recorrer menos ao combate”, sustentou Eduardo Cabrita.

(Artigo atualizado às 15:06)

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