“Os fundos comunitários são determinantes para manter estes projetos, cada vez com mais força na preservação e na salvaguarda dos interesses ambientais, mas estão sempre condicionados à intermitência dos quadros comunitários de apoio”, sublinhou João Catarino.

Em declarações aos jornalistas à margem das comemorações do 10.º aniversário do centro, o governante argumentou que um orçamento anual “será uma garantia para as pessoas” que não podem ver-se “privadas, de um momento para o outro, do seu vencimento”, mas também para a própria sustentabilidade da estrutura.

“Nem as pessoas nem estes animais podem passar por isso, e daí ser tão importante termos, para além dos fundos comunitários, uma garantia anual de um orçamento nacional”, defendeu, considerando fundamental o trabalho já desenvolvido na recuperação de uma espécie de estava praticamente perdida.

“O trabalho efetuado pelo centro ao longo de dez anos tem sido um sucesso, até pelo número de crias existentes e a forma como estamos a libertar para a natureza novos exemplares do lince-ibérico, espécie que estava praticamente perdida”, referiu.

Para o governante, os bons resultados do Centro Nacional de Reprodução do Lince-Ibérico (CNRLI), em Silves, no distrito de Faro, devem-se ao trabalho desenvolvido pela equipa do centro, em colaboração com parceiros de Espanha.

Segundo o secretário de Estado da Conservação da Natureza, Florestas e Ordenamento do Território, para a manutenção e consolidação de projetos como este, é importante que, além das verbas comunitárias, haja um orçamento anual definido que mantenha “a continuidade nas políticas e no trabalho das pessoas”.

João Catarino disse ainda que Portugal vai continuar a ter fundos comunitários, não só através dos Programas Operacionais (PO) regionais, como através de candidaturas com Espanha, no âmbito de outros programas de cooperação transfronteiriça.

O governante destacou também a parceria do Governo com a empresa Águas do Algarve, empresa responsável pelos sistemas de abastecimento de água e de águas residuais na região e que comparticipa, anualmente, com uma verba de 300 mil euros para o funcionamento do centro.

O Centro Nacional de Reprodução do Lince-Ibérico assinala hoje o 10.º aniversário da chegada do primeiro exemplar às suas instalações, onde já nasceram 122 animais, integrando o projeto ibérico de reprodução em cativeiro do lince-ibérico, tendo em vista a sua libertação em zonas preparadas em Portugal e Espanha.

“Nestes 10 anos nasceram 122 animais, e mais de 100 foram reintroduzidos na natureza [em Mértola, Portugal e em Espanha, na Andaluzia, Extremadura e Castilla La Mancha]”, disse aos jornalistas Rodrigo Serra, gestor do centro.

Para aquele responsável, o balanço é “extremamente positivo”, porque se conseguiu “reproduzir em cativeiro e trazer de volta o lince-ibérico para Portugal, bem como municiar projetos de reintrodução por toda a Península Ibérica”.

Rodrigo Serra acrescentou que o trabalho no centro “está longe de estar concluído, existindo metas a alcançar”, frisando, no entanto, que “toda a equipa está motivada, até pelo sucesso que foi o percurso até aqui”.

Dos oito animais nascidos em cativeiro este ano, sete vão ser reintroduzidos na natureza no início de 2020, e um será integrado no programa de conservação “ex situ” como reprodutor.

Rodrigo Serra destacou também “a importância de todo o trabalho que tem sido feito com centros de reprodução espanhóis, com a partilha de protocolos e técnicas”, sublinhando tratar-se de “um projeto onde todos aprendem uns com os outros”.

“No fundo é um verdadeiro programa ibérico, porque toda a gente partilha de protocolos e animais, sendo os resultados muito bons”, concluiu.

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