
Orlando Gonçalves, dirigente da federação na região Norte, disse à Lusa que “a adesão está entre os 80 e os 90%”, mas o impacto para o doente “é mínimo”.
O dirigente sindical, que falava à porta do Hospital de São João, disse desconhecer, cerca das 09:00, os números da adesão a nível nacional, mas, no que se refere a este hospital, referiu que “na parte das consultas externas teriam que estar no total 25 assistentes técnicos ao serviço e estão apenas três”.
“É uma forte adesão. Quanto ao impacto que a greve está a ter para o doente, é mínimo, porque as consultas estão a realizar-se, com algum atraso, porque a validação das mesmas tem de ser feita em máquinas”, explicou.
O que não está a ser realizado devido a esta greve dos administrativos são, por exemplo, a passagem de justificações para o trabalho, as remarcações de consultas e de exames, e também não estão a ser recebidos “os reservatórios com urina e outro tipo de matérias para análise”, explicou.
“Portanto, há aqui algum impacto para o doente, mas é mínimo e ainda bem”, afirmou Orlando Gonçalves, referindo que “o objetivo da greve é, de facto, que o Governo perceba que esta classe profissional, esta carreira, está extremamente desvalorizada”.
Segundo o sindicalista, “era uma carreira que em 2009 tinha quatro categorias e, neste momento, tem uma categoria apenas e, depois, a coordenação, mas isso é para um número mínimo de trabalhadores, porque só há um chefe por serviço, regra geral”.
“É uma carreira que está apenas 100 euros acima do salário mínimo, quando em 2009, por exemplo, estava com 220, houve um estagnar desta carreira e uma perda de poder de compra e não há uma perspetiva de crescimento. Não é por acaso que há muitos concursos de administração pública que ficam desertos e têm que ser repetidos”, considerou.
Em seu entender, “não se consegue viver com dignidade sendo trabalhador da administração pública, porque os salários são baixos e as condições de trabalho, muitas vezes, também não ajudam”.
“Aquilo que nós queremos é que o Governo inicie uma revisão das carreiras gerais, que nos chame e aí apresentaremos as propostas, e eles também terão as deles, tal e qual como está a fazer com as carreiras especiais”, salientou.
O Governo “está a rever praticamente todas as carreiras especiais que representam 360 mil trabalhadores da administração pública, o que significa que há outros tantos, ou ainda mais, que são das carreiras gerais”, disse.
“As carreiras gerais representam para cima de 50% dos trabalhadores da administração pública e para esses não há nada a não ser aquele acordo assinado em novembro pela FESAP (Federação de Sindicatos da Administração Pública), que é um acordo de mínimos e não faz com que se recupere o poder de compra que se perdeu ao longo destes anos, principalmente desde 2005, do primeiro congelamento da administração pública”, acrescentou.
No primeiro de três dias da greve convocada pela Federação Nacional de Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (FNSTFPS), afeta à CGTP, a adesão ficou “acima dos 50%”.
Cada dia de greve é dirigido a uma das carreiras gerais da função pública. Na quarta-feira foi dedicado aos técnicos superiores, hoje aos assistentes técnicos e na sexta-feira dedicada aos assistentes operacionais.
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