Marta Temido afirmou hoje aos jornalistas que tem trabalhado com os cinco hospitais onde decorre a greve em blocos operatórios para “garantir os direitos dos doentes”, adiantando que, hoje ao final da tarde, vai reunir-se com as equipas dessas unidades de saúde.

“O que procuraremos fazer dentro desta circunstância, que é muito penosa sobretudo para os utentes, é encontrar soluções dentro do Serviço Nacional de Saúde (SNS)”, afirmou a ministra aos jornalistas, à margem da apresentação de um estudo, em Lisboa.

Marta Temido considerou ainda que os hospitais devem divulgar as cirurgias que têm sido adiadas devido à greve, tal como já foi sugerido pela Ordem dos Médicos e pela Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares, estruturas que indicam que há doentes graves e prioritários com cirurgias adiadas.

“Uma divulgação daquilo que é o prejuízo desta greve é um elemento absolutamente essencial para que os portugueses compreendam o que se esta a passar, que é uma greve extraordinariamente agressiva, precedida por uma proposta que respondia à maioria das reivindicações dos enfermeiros”, declarou.

Segundo Marta Temido, o ministério tem estado a “articular com os hospitais afetados a remarcação das cirurgias que estão a ser adiadas”, vincando que é também um período “absolutamente extraordinário e difícil para os hospitais”.

A ministra afirma que pretende reprogramar as cirurgias “na medida do possível dentro do SNS”, recorrendo a outros hospitais públicos, mas caso sejam excedidos os tempos máximos de respostas os doentes poderão ser encaminhados para os privados.

A ministra da Saúde apelou ainda às ordens dos médicos e dos enfermeiros para que estejam atentas à greve em blocos operatórios, assegurando que “nenhum doente é prejudicado” e recusou “alimentar climas de guerra” entre profissões.

“Devemos todos evitar cair numa tentação que sinto que o terreno muitas vezes revela, que é virar as profissões umas contra as outras. (...) O Ministério da Saúde não vai fazer desta situação uma guerra. Está muito preocupado, sim, muito preocupado com os doentes e tudo fará para resolver o problema dos doentes, mesmo que saiba que os profissionais, neste caso, não estão do lado dessa satisfação. Mas não vamos alimentar climas de guerra”, afirmou Marta Temido aos jornalistas à margem de um encontro da Associação Nacional das Unidades de Saúde Familiar, em Lisboa.

Questionada pela Lusa sobre a possibilidade de recorrer a requisição civil, a ministra considerou que essa é uma “opção extrema”.

Sobre o cancelamento de cirurgias a doentes graves ou prioritários, a ministra lembrou que quem determina o que ocorre nos blocos operatórios é, “em última instância” o conselho de administração, diretor clínico e de enfermagem de um hospital.

“Os profissionais de saúde, como médicos e enfermeiros, têm um código deontológico que deve dar guarida e segurança para que ninguém seja lesado na sua saúde. O Ministério da Saúde está confiante que a Ordem dos Médicos e a Ordem dos Enfermeiros estão suficientemente atentas a esta situação e estão do lado do Ministério para que nenhum doente é prejudicado, porque já deveres éticos e deontológicos que entregamos às ordens em termos de salvaguarda”, afirmou a ministra.

A Ordem dos Médicos estranhou hoje o silêncio e passividade do Governo perante a greve dos enfermeiros, avisando que “há muitos doentes prioritários que não estão a ser operados”, e pedindo a divulgação dos casos das pessoas com cirurgias adiadas.

A Ordem declara que tem recebido denúncias sobre doentes “com situações clínicas complexas” e que têm visto as suas cirurgias adiadas, como consequência da greve dos enfermeiros que começou há duas semanas e que dura até final do mês.

“Existem muitos doentes prioritários que não estão a ser operados”, afirmou à agência Lusa o bastonário da Ordem, Miguel Guimarães, dizendo que os serviços mínimos não estão a incluir todos os doentes prioritários e que deviam ter sido acautelados serviços mínimos em função da duração da greve, que será de mais de um mês no total.

“O Ministério da Saúde tem de encontrar uma solução para estes doentes”, afirmou Miguel Guimarães.

A Ordem dos Médicos apela ao Ministério da Saúde para que “assuma a sua responsabilidade” e entende que é fundamental que os hospitais onde decorre a greve divulguem diariamente o número de doentes não operados e a gravidade das suas situações clínicas.

Um apelo semelhante já tinha sido feito à agência Lusa pelo presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares, Alexandre Lourenço.

[Notícia atualizada às 16h49]

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