Em declarações à agência Lusa, Joaquim Sousa, do STAL falou em “balanço muito positivo nas primeiras horas de greve”, frisando que “a maioria dos trabalhadores estão a aderir” a uma “greve histórica na Resinorte”.

“Registamos uma forte adesão. Quase 100%. Apenas há recolha graças aos serviços mínimos que foram decretados, abusivamente, pelo tribunal. O objetivo é convencer a administração da Resinorte a sentar-se à mesa de negociações. Esta é a primeira greve da história da empresa”, referiu o dirigente sindical.

Joaquim Sousa falava à Lusa desde o piquete de greve que decorre em Riba D’ Ave, concelho de Vila Nova de Famalicão, local onde os trabalhadores em greve se concentraram à porta para exigir “melhores condições de trabalho”.

“Os salários são muito baixos e mesmo quando a empresa dá migalhas, não as distribui por todos. Há discriminação. Só queremos sentar-nos à mesa e negociar”, disse a mesma fonte.

Já nota do STAL enviada à Lusa soma, como reivindicações dos trabalhadores, “a melhoria dos salários e de outras prestações pecuniárias, nomeadamente, do subsídio de refeição, transporte, e a recuperação do poder de compra perdido”, bem como “o respeito pela contratação coletiva e respostas sérias às propostas sindicais de negociação de um acordo coletivo de trabalho, que normalize e constitua um instrumento de efetiva melhoria das condições de trabalho”.

A valorização dos trabalhadores e das suas carreiras profissionais, bem como um seguro de saúde para todos, e o seu alargamento ao agregado familiar, são outras das exigências dos trabalhadores.

De acordo com Joaquim Sousa, “de um universo de cerca de 150 trabalhadores, apenas seis estão a trabalhar”.

Na segunda-feira, o STAL anunciou que iria lutar “por todos os meios”, incluindo os judiciais, contra os serviços mínimos fixados pelo Tribunal Arbitral para a greve na Resinorte.

Em comunicado, o STAL referiu que, com a decisão tomada, o Tribunal Arbitral do Conselho Económico e Social “arrasa o direito à greve”.

Em causa o facto de terem sido decretados como serviços mínimos oito equipas de dois trabalhadores para fazer a recolha dos ecopontos nos concelhos de Guimarães, Vila Nova de Famalicão, Santo Tirso, Fafe, Vila Real, Amarante, Marco de Canaveses e Chaves.

Segundo o STAL, o tribunal invoca questões de perigo para a salubridade pública, para o ambiente e para a segurança, “que nunca fundamenta ou concretiza”.

A agência Lusa tentou obter esclarecimentos junto da administração da Resinorte, mas sem sucesso até ao momento.

Esta greve teve início às 00:00 de hoje e prolonga-se até sexta-feira, acontecendo na Resinorte e na Resiestrela, empresas de recolha seletiva e tratamento de resíduos do Norte e Centro interior, ambas do grupo EGF.

As paralisações abrangem 35 municípios da região Norte (Resinorte) e 14 concelhos dos distritos da Guarda e de Castelo Branco.

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