"Queremos que revele os nomes dos padres que cometeram abusos sexuais e de bispos que ocultaram os abusos. O Vaticano tem e não revelou", lamentou Saviano numa conferência realizada na sede da Associação de Imprensa Estrangeira em Roma.

Saviano, de 64 anos, foi quem contou a sua história ao jornal americano "Boston Globe" que investigou e descobriu o silêncio da Igreja sobre o abuso sexual. Esta investigação inspirou o filme "Spotlight", premiado com um Óscar em 2016.

Na conferência de imprensa, Saviano criticou o Vaticano por "falar de transparência" e, ao mesmo tempo, "não ser transparente" e "manter escondidas todas as informações sobre clérigos pedófilos".

Saviano lamentou que não esteja previsto um encontro entre o papa e as vítimas, no âmbito da cimeira sobre proteção de crianças e abusos que decorre de 21 a 24 de fevereiro no Vaticano.

Phil Saviano, que faz parte da organização BishopAccountability.org que está a documentar casos de abuso, não tem uma visão otimista sobre esta cimeira, mas admite que serve para "por em destaque esta epidemia e ajudar outras vítimas a tomar consciência que não são as únicas".

Uma das responsáveis pela organização BishopAccountability.org, Anne Barrett, afirmou que “o máximo” que se pode esperar da cimeira é que será “uma muito tímida mudança de política, longe da profunda reforma que é necessária”.

De acordo com Anne Barrett, tanto a Igreja como o papa poderiam tomar muitas medidas, entre as quais a revelação dos nomes dos milhares de padres condenados por abuso sexual.

"O Vaticano admitiu em 2014 ter encontrado 3.400 padres culpados de abuso sexual de crianças, poderiam ter-nos dito quem são", disse.

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