Num relatório hoje divulgado, a Human Rights Watch (HRW), organização de defesa dos direitos humanos com sede nos Estados Unidos, disse que as forças de segurança de Myanmar cercaram a manifestação do dia 14 de março, tendo usado meios letais contra o protesto que se desenrolava contra o golpe de Estado militar.

“Os soldados e a polícia armados com espingardas de assalto dispararam contra os manifestantes e contra todos os que tentavam acudir aos feridos, tendo morrido 65 pessoas”, referiu a HRW.

Os militares, que impuseram a Lei Marcial após os atos de violência de 14 de março, descreveram na altura os manifestantes como “arruaceiros” que provocaram incêndios e impediram o trabalho dos bombeiros.

A HRW assinala que não ocorreu nenhuma ação por parte dos manifestantes contra as forças de segurança.

Até ao momento, os militares no poder em Myanmar (antiga Birmânia) ainda não responderam à acusação da Human Rights Watch.

A investigadora Manny Maung, da HRW, disse à Associated Press que as forças de segurança cometeram atos que “constituem crimes contra a humanidade”.

“Em última instância, a responsabilidade reside na estrutura de comando”, acrescentou, sublinhando que o relatório foi elaborado com base em seis entrevistas e na análise de 13 vídeos e 31 fotografias que foram divulgados na altura nas redes sociais.

Um dos vídeos foi registado por um elemento da própria polícia, que divulgou através da plataforma digital Tik Tok o avanço das forças contra os manifestantes.

Desde o golpe de Estado militar de 01 de fevereiro mais de 1.300 manifestantes foram mortos pelas autoridades durante protestos, de acordo com a Associação de Apoio a Presos Políticos.

Por outro lado, deputados dos países da ASEAN (Associação dos Países do Sudeste Asiático) disseram hoje que aumentou a pressão sobre a oposição e que, pelo menos, 90 deputados birmaneses encontram-se presos ou sob regime de prisão domiciliária.

De acordo com um relatório apresentado pelo grupo de defesa de direitos humanos constituído por deputados dos países da ASEAN, “muitos outros” políticos e parlamentares birmaneses fugiram.

“Estou a falar de um local afastado da minha casa (…) Tive de fugir para a selva para sobreviver. Os ‘drones’ (aparelhos voadores não tripulados) do Exército estão sempre a sobrevoar a selva. Tenho de mudar constantemente de local para não ser localizada”, disse a deputada birmanesa Myat Thida Htun, de forma virtual, durante a apresentação do relatório do grupo da ASEAN.

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