Em declarações aos jornalistas, Rodrigo Saraiva transmitiu que o grupo parlamentar do PS já pediu, na conferência de líderes, desculpas ao partido e ao parlamento.

“Consideramos que este assunto está sanado, está resolvido e registamos positivamente esse reconhecimento do PS de uma má atitude de uma sua deputada (…) O que nos preocupa é que, quando uma deputada do PS tem o à vontade para esta atitude, isso é um sintoma da forma como o PS governa e gere a coisa pública. Este episódio deve servir ao PS para fazer uma reflexão sobre a sua prática, que permite que deputados seus se achem donos disto tudo”, defendeu Rodrigo Saraiva.

A deputada do PS Isabel Guerreiro pediu hoje para que fossem retiradas das atas e da gravação da comissão o momento em que o deputado Carlos Guimarães Pinto pediu a demissão da ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa.

Rodrigo Saraiva transmitiu aos jornalistas que levantou esta questão no final da conferência de líderes parlamentares, de uma atitude que classificou como “inaceitável”.

“Registamos que, no momento seguinte, pelo deputado socialista Pedro Delgado Alves, o grupo parlamentar do PS pediu desculpa pelo acontecimento ao deputado Carlos Guimarães Pinto, à IL, à Comissão e à Assembleia da República”, disse.

Por outro lado, segundo o líder parlamentar da IL, o presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva, disse que iria averiguar junto da Comissão que nada será apagado.

A Iniciativa Liberal (IL) já tinha condenado esta atitude, através de uma publicação de Carlos Guimarães Pinto, na rede social Twitter.

“Agora mesmo na audição à Ministra da Coesão Territorial uma deputada do PS pediu para que a gravação da minha intervenção sobre os fundos atribuídos ao marido da ministra fosse apagada. Incrível. Inacreditável em democracia”, escreveu o deputado da IL.

Em causa, está a notícia avançada pelo Observador que dá conta de que duas empresas do marido de Ana Abrunhosa receberam fundos comunitários da área por si tutelada.

Segundo o Expresso, o deputado liberal questionou esta manhã a governante sobre a “questão ética” subjacente ao facto de só uma das empresas detidas pelo cônjuge, a Thermalvet, ter recebido 133 mil euros da União Europeia (UE) e pediu que devolvesse o dinheiro ou se demitisse.

De acordo com o Observador, a Thermalvet, detida a 40% pelo marido de Ana Abrunhosa, recebeu 133 mil euros de um total de 303.275 euros, o que corresponde a mais de um terço dos fundos comunitários recebidos pelo país. Esta empresa foi fundada em outubro de 2020, 15 dias antes do arranque do projeto.

Já a Xiapu, empresa que conta com uma participação indireta do conjugue da ministra, recebeu 66.015 euros no quadro do programa Compete 2020.

A ministra da Coesão, que tutela as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) – responsáveis pela gestão dos fundos comunitários – alega que pediu um parecer à Procuradoria-Geral da República (PGR), que não conclui a existência de conflitos de interesses, nem ilegalidades. Contudo, a PGR alerta também no parecer para a “obscuridade da lei”.

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