“Ainda estamos com pandemia. Há 193 surtos em lares. Há um ano a situação era mais grave, mas estamos em pandemia”, disse Lino Maia, que participava na conferência “Pós-Pandemia, Recuperação e Resiliência do Pilar Social em ano de descentralização de competências” em Vila Nova de Gaia, no distrito do Porto.

De acordo com o presidente do CNIS, estes surtos correspondem a 3.892 casos ativos, um número que contrata com os “oito mil e tal do ano passado em fevereiro”.

“E não tem havido óbitos em lares. Têm morrido pessoas com covid, mas não por causa do covid. Mas Portugal ainda enfrenta uma pandemia”, reforçou.

Lino Maia falou do “risco de colapso” das instituições, mas garantiu que isso é algo que “nunca vai acontecer”, porque “as instituições conhecem os seus utentes e inventam respostas”. No entanto o líder do CNIS alertou para o “perigo” de viver de voluntarismo e boa vontade.

Lino Maia afirmou que “50% das instituições têm resultados negativos” e que “o Estado comparticipava em 38% os custos”.

“Mas há perspetiva de isso melhorar”, disse Lino Maia, recordando o pacto assinado com o Governo que prevê ao longo da presente legislatura caminhar para uma comparticipação de 50%.

“Isto liberta-nos de uma ameaça que paira sobre as instituições. As instituições têm como missão privilegiar os mais carenciados. Comparticipar em 50% as instituições não é um favor que o Estado faz”, considerou.

Num painel dedicado às instituições sociais, a presidente da Cáritas Portuguesa, Rita Valadas, defendeu que o apoio social deve ser cada vez mais adaptado às pessoas e às necessidades de cada um e falou da rede informal.

“A rede informal responde mais rápido do que a rede formal. Foi o que aconteceu na pandemia, como está a acontecer noutras situações agora. A rede informal é o olhar de quem está próximo, que consegue ver o que está a acontecer com mais facilidade do que quem está longe e a olhar para as coisas na sua globalidade. É o momento do reforço da importância da rede informal”, sublinhou.

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