A vitória de Donald Trump na primária republicana do Arizona foi ofuscada pelo resultado no Utah, onde Ted Cruz venceu com mais de 50% dos votos, enquanto Trump ficou em terceiro lugar, atrás do governador de Ohio, John Kasich.

As farpas na disputa interna do Partido Republicano tornaram-se ainda mais evidentes depois de Jeb Bush ter expressado apoio a Ted Cruz em nome da "unidade" partidária. "Pelo bem do nosso partido e do nosso país, devemos superar a vulgaridade e as divisões que Donald Trump provoca na arena política ou certamente perderemos a oportunidade de derrotar a candidata democrata, que provavelmente será Hillary Clinton", afirmou Bush em comunicado.

Considerado até ao ano passado a grande esperança republicana para a Casa Branca, Jeb Bush não conseguiu fazer com que a sua campanha se destacasse e desistiu da corrida no mês passado, sem ter conseguido em nenhum momento alcançar 10% das intenções de voto.

Aumento da tensão

A tensão aumentou ainda mais depois de um grupo republicano contrário ao polémico magnata ter divulgado no Twitter uma fotografia da esposa de Trump, a ex-modelo Melania Trump, posando sem roupas, junto a uma mensagem com pedidos de voto em Cruz. Como é habitual, Trump usou a mesma rede para criticar Ted Cruz e ameaçar com indiscrições sobre a esposa do senador, Heidi. "A foto da sua esposa não é nossa responsabilidade. Donald, se atacar Heidi, você é mais covarde do que eu pensava", respondeu Cruz também no Twitter. Em entrevista ao canal NBC, Cruz disse que quando Trump "está infeliz, ou tem medo, reage assim. Grita, geralmente insulta. Ameaça pessoas. É um bully".

Apesar da clara vitória no Arizona, a contundente derrota sofrida no Utah deixou claro que Trump não terá vida fácil para obter o número necessário de delegados para selar a indicação antes da convenção partidária, prevista para julho em Cleveland. Ao ter que dividir os votos nas primárias com Cruz e Kasich, cada dia fica mais evidente que Trump não conseguirá evitar uma negociação na convenção do Partido Republicano, cuja direção não esconde o interesse em afundar a candidatura do magnata em favor de uma figura de consenso. Depois da vitória no Ohio de Kasich, muitos imaginaram que este conservador moderado poderia encarnar a figura capaz de conter Trump, mas o apoio de Bush pode virar a tendência a favor de Cruz. No domingo, Kasich afirmou à imprensa que "ninguém, ninguém irá a esta convenção com delegados suficientes".

Trump chegou às primárias de terça-feira depois de advertir o Partido Republicano sobre eventuais "distúrbios" no caso de a convenção partidária não reconhecer a liderança que conseguiu construir após o lançamento da sua campanha em junho do ano passado. De fato, o empresário de Nova Iorque lidera com boa margem a disputa republicana e aproxima-se dos 1.237 delegados necessários para obter a nomeação do partido: acumula 744, segundo a CNN. Cruz tem 461 e Kasich apenas 145.

Diferença difícil de superar

Entre os democratas, Hillary Clinton conseguiu na terça-feira uma vitória clara no Arizona, mas o senador Bernie Sanders venceu com facilidade nos estados de Utah e Idaho. Sanders comemorou o "tremendo" desempenho e afirmou que "estas vitórias decisivas em Idaho e Utah dão confiança de que vamos continuar a ter importantes vitórias nas próximas disputas".

Mas os triunfos de Sanders, os primeiros do pré-candidato em duas semanas, podem ter pouca utilidade na longa disputa pela indicação partidária. Como o Partido Democrata distribui os delegados de forma proporcional, a importante vantagem de Clinton significa que mesmo perdendo um estado, a candidata continua a acumular delegados. Desta forma consegue manter a diferença a seu favor para a convenção da Filadélfia, em julho.

Depois de terça-feira, Hillary Clinton tem mais de 1.700 delegados, contra 930 de Sanders, incluindo os superdelegados, segundo as estimativas da CNN. Um pré-candidato precisa de 2.383 delegados para conquistar a candidatura democrata. Desta maneira, Sanders precisa manter ou melhorar o ritmo de terça-feira no resto das primárias, que prosseguem até junho, se desejar obter a nomeação do Partido Democrata.

Por esta razão, diversas vozes dentro do partido consideram que a campanha de Sanders não terá condições de derrotar Clinton, mas pode fragilizar a ex-secretária de Estado para a disputa final contra o eventual candidato republicano. "Sanders deveria olhar para os números e tirar as suas conclusões", disse na terça-feira a senadora democrata Barbara Mikulski, que apoia Hillary.

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