Cerca das 08:00, altura em que se iniciam as consultas, as salas de espera começaram a encher com os utentes sem saberem se os médicos iam comparecer e com indicações das funcionárias de que, caso não houvesse consulta, para voltar ao ‘guichet’ para marcar para outro dia.

À entrada do serviço de consultas extremas uma funcionária avisava: "Hoje é dia de greve, não sabemos se os médicos estão cá".

Amílcar Nunes, na casa dos 60 anos, chegou cedo ao hospital para uma consulta de urologia, marcada para as 08:30, mas rapidamente soube que o médico tinha aderido ao primeiro dos dois dias de greve dos clínicos.

Em declarações à agência Lusa, Amílcar Nunes contou que soube, na terça-feira, pela televisão da greve, mas mesmo assim decidiu vir "para que a falta não seja" do doente.

Luís Filipe, 53 anos, teve mais sorte e conseguiu ter a sua consulta para tratar de um problema na boca.

Contou à Lusa que não sabia da greve dos médicos, mas depois de saber as razões pelas quais faziam greve disse estar solidário com os clínicos.

Rosa Costa, 52 anos, veio de São Miguel, nos Açores, para vir à consulta de nefrologia no hospital, onde foi operada a um rim e onde está a ser seguida. Disse ter conhecimento da greve na pensão onde está alojada, mas decidiu comparecer na mesma.

Presente no Hospital de São José, Guida da Ponte, dirigente da Federação Nacional dos Médicos (FNAM), fez uma primeira análise à adesão à greve.

"Ainda não temos dados concretos, mas a primeira impressão é que não está grande número de doentes, não está grande número de médicos", disse Guida da Ponte à Lusa, rematando: "A primeira impressão é que há de facto uma boa adesão".

A paralisação foi convocada pelos dois sindicatos médicos para hoje e quinta-feira e é a primeira destes profissionais de saúde que enfrenta o ministro Adalberto Campos Fernandes.

O Sindicato Independente dos Médicos (SIM) e a Federação Nacional dos Médicos (FNAM) reivindicam um conjunto de 30 pontos e queixam-se de que o Governo tem empurrado as negociações ao longo de um ano, sem concretizações, e demonstrando falta de respeito pelos profissionais.

Limitação do trabalho suplementar a 150 horas anuais, em vez das atuais 200, imposição de um limite de 12 horas de trabalho em serviço de urgência e diminuição do número de utentes por médico de família são algumas das reivindicações sindicais.

Os sindicatos também querem a reposição do pagamento de 100% das horas extra, que recebem desde 2012 com um corte de 50%. Exigem a reversão do pagamento dos 50% com retroatividade a janeiro deste ano.

O Ministério da Saúde tem dito que não negoceia sob pressão e considera-se empenhado no diálogo com os sindicatos médicos.

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