Samora Correia é uma freguesia do concelho de Benavente, no distrito de Santarém, e onde se situa, maioritariamente, o Campo de Tiro da Força Aérea, também conhecido como Campo de Tiro de Alcochete, uma das duas opções identificadas como viável para a localização do novo aeroporto de Lisboa.

“Está totalmente na freguesia de Samora Correia, o Campo de [Tiro de] Alcochete. Desde 2009 mudou a sua designação para apenas Campo Tiro da Força Aérea”, começou por explicar à Lusa, o presidente da Junta de Freguesia de Samora Correia, Augusto Marques, lembrando que algumas unidades militares no país são referenciadas aos locais onde existem, como Tancos e Monte Real.

O autarca eleito pela CDU esclareceu, assim, que a estrutura da Força Aérea está “totalmente integrada” na freguesia e no concelho de Benavente.

“A proposta de localização do aeroporto não coincide totalmente com o Campo de Tiro da Força Aérea, há uma parte que apanha outros concelhos, mas Alcochete não”, precisou, admitindo, contudo, que estará mais perto do núcleo urbano de Alcochete do que do de Samora Correia, que fica a 16 quilómetros.

Para o autarca, a ser escolhida a hipótese do Campo de Tiro da Força Aérea, terá “impactos significativos na freguesia” e, embora a obra seja a médio prazo, quem estiver na altura a dirigir a autarquia, juntamente com a população, deverá “tomar algumas cautelas e tentar preservar” aquilo que é a localidade ribatejana.

Augusto Marques lembrou que a identidade de Samora Correia traduz-se numa “comunidade de construção com baixa densidade, prédios baixos e muitas moradias”, pelo que não se deverá deixar “no campo da construção, que caminhe para a especulação imobiliária e para construção em grande densidade, descaracterizando aquilo que sempre foi a freguesia”.

De qualquer forma, acrescentou, caso esta venha a ser a localização escolhida, o futuro aeroporto de Lisboa irá representar “muitos postos de trabalho” não só para a freguesia, mas também para os concelhos limítrofes.

“Todos vão ser beneficiados porque estão na envolvência” da infraestrutura, salientou.

Relativamente às questões ambientais e de ruído, segundo Augusto Marques “estão acauteladas” desde que se ouviu falar pela primeira vez desta opção em 2008, de acordo com os estudos então realizados.

Rogério Leite é um dos habitantes de Samora Correia a favor da localização do novo aeroporto no Campo de Tiro da Força Aérea na freguesia, já que irá “desenvolver muito o concelho”, embora “tudo possa encarecer, comércio e habitação, e seja a população a pagar a fatura”.

“Isso tem de ser acautelado”, aconselhou o morador, reconhecendo, por isso, ser “um pau de dois bicos”.

“É bom para o desenvolvimento e se calhar mau para quem aqui vive”, considerou.

Já o seu companheiro de café, e também ‘filho da terra’, José Carlos disse ter uma opinião contrária.

“O aeroporto aqui fica fora de contexto”, defendeu, lembrando que Samora Correia tem “um ecossistema muito sensível” e a aviação na zona “irá acabar com o habitat dos flamingos”.

Tanto Conceição Amaro, moradora na freguesia, como Olga, proprietária de uma loja de roupa infantil, consideraram, por seu turno, que a opção do novo aeroporto no concelho de Benavente irá ter benefícios “tanto para a população, como para o comércio”, aguardando com expectativa o que o futuro trará.

Também Cátia Valente, da imobiliária Olival, considerou que o novo aeroporto poderá levar “sangue novo” para a região, bem como “novas oportunidades de trabalho” e “mais procura a nível imobiliário”.

“Será uma boa aposta”, disse.

Em Vila Nova de Santo Estêvão, a cerca de 15 quilómetros, os responsáveis do Santo Estêvão Golf consideraram igualmente uma boa notícia a hipótese de o novo aeroporto ser construído na zona.

“Era uma decisão que nós estávamos na expectativa de que iria sair, sabemos bem das potencialidades de Alcochete e, para nós, a concretizar-se é uma boa notícia, com certeza”, disse Francisco Castelo Branco, do Santo Estêvão Golf.

De acordo com o responsável, o novo aeroporto no concelho de Benavente irá proporcionar “mais desenvolvimento não só ao clube, mas a toda a parte envolvente”.

“É uma zona que está perto de Lisboa, das poucas zonas urbanas consolidadas que já existe e, portanto, com certeza que vai despertar a curiosidade de mais possíveis moradores nesta zona que tem vindo a aumentar ultimamente”, admitiu.

Questionado sobre o ruído, Francisco Castelo Branco considerou que a infraestrutura “não trará transtorno” para os jogadores de golfe, lembrando que, da primeira vez que se falou da possibilidade do aeroporto se localizar em Alcochete, foram feitos “alguns estudos que revelaram que não havia impacto negativo em toda a zona abrangente”.

“Não vai ter impactos negativos, só positivos”, referiu o responsável, antevendo que a afluência ao clube “irá seguramente ser muito maior”, até porque já foi aprovada a construção de um hotel na herdade onde se insere o campo de golfe, que contará com 18 quartos e 16 ‘villas’, com o início da obra previsto para 2024.

O Campo de Tiro da Força Aérea e Vendas Novas, em Évora, são as duas opções identificadas pela comissão técnica independente como viáveis para um novo aeroporto, juntamente com Humberto Delgado até ser possível passa para uma infraestrutura única, conforme foi anunciado na terça-feira.

De acordo com o relatório preliminar da comissão técnica independente responsável pela avaliação ambiental estratégica para o aumento da capacidade aeroportuária da região de Lisboa, que estudou nove opções, são viáveis as soluções Humberto Delgado + Campo de Tiro de Alcochete [Força Aérea], até ficar unicamente Alcochete com o mínimo de duas pistas, bem como Humberto Delgado + Vendas Novas, até ficar unicamente Vendas Novas, também com um mínimo de duas pistas.

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