Num comunicado conjunto hoje divulgado pelo Grupo de Apoio ao Tibete-Portugal, os ativistas criticam a visita de seis dias de Bachelet “por ter branqueado a repressão contra pessoas uigures, tibetanas, mongóis do sul, de Hong Kong, entre outras”.

No documento é pedido ainda ao secretário-geral da ONU, António Guterres, para que não proponha a renovação do mandato de Bachelet e que seja divulgado imediatamente o relatório sobre as violações dos direitos humanos contra os uigures e outras comunidades turcas.

Durante a sua visita de seis dias à China, Bachelet “desperdiçou uma rara oportunidade de promover a responsabilização, ao não abordar a resenha de violações sistemáticas dos direitos humanos cometidas pelas autoridades chinesas”, reforçam as organizações de direitos humanos.

Consideram ainda que Bachelet “legitimou a tentativa de Pequim de encobrir os seus crimes usando o falso enquadramento de ‘contraterrorismo’ do Governo chinês e repetidamente se referiu aos notórios campos de internamento pelo termo do governo chinês: ‘Centros de Educação e Treino Profissional’ (CETP)”.

Durante o seu mandato de quatro anos, a Alta-Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos “manteve-se totalmente em silêncio sobre a crise dos direitos humanos que envolve o Tibete e nem sequer pediu o acesso ao país sob ocupação, apesar de nenhum Alto-Comissário o visitar desde 1998”, adiantam.

Os governos ocidentais e as organizações não-governamentais (ONG) dos direitos humanos acusam a China de deter mais de um milhão de uigures e membros de outras minorias muçulmanas em campos de reeducação.

As organizações de direitos humanos afirmam ainda que faltaram as visitas ao Tibete e a Hong Kong, alertando que Bachelet “não realizou qualquer menção ao sul da Mongólia” e “desperdiçou uma oportunidade muito necessária de se reunir com os principais líderes chineses”.

O diretor executivo da Human Rights Watch (HRW) considerou hoje “desastrosa” a recente visita à China da Alta-Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, atribuindo parte da responsabilidade ao secretário-geral da ONU, António Guterres.

Kenneth Roth declarou numa conferência de imprensa que a viagem de Bachelet à China, entre 23 e 28 de maio, “não poderia ter sido melhor para o Governo chinês, que se esforça para esconder as prisões em massa e os abusos em Xinjiang”, território autónomo habitado por várias minorias étnicas, nomeadamente os uigures.

Roth declarou que Bachelet “adotou a retórica de Pequim” e referiu-se a estes campos como “centros de treino educacional e vocacional”.

Bachelet “comportou-se como se a visita fosse um gesto de generosidade de Pequim, quando é obrigação de cada país membro da ONU permitir a entrada de altos funcionários da organização”.

Roth acusou a Alta-Comissária de ser “inocente” por acreditar que poderia convencer os líderes chineses, em privado, a acabar com os seus abusos em Xinjiang.

“A força da Alta-Comissária está na pressão que pode exercer ao denunciar publicamente o que Pequim está a fazer. O diálogo nos bastidores é inútil”, referiu o responsável da HRW.

Questionado sobre se Bachelet deverá continuar como Alta-Comissária – o seu mandato termina este ano, embora possa concorrer à reeleição -, Roth disse que a chilena “não parece confortável em assumir posições contra governos poderosos”.

O diretor executivo da HRW afirmou que parte da culpa pela visita fracassada de Bachelet à China é do secretário-geral da ONU, António Guterres, por ter aceitado previamente os termos impostos por Pequim para a visita da Alta-Comissária, quando esteve na capital chinesa por ocasião da abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno.

Guterres, segundo Roth, mostra-se “mais fraco” quando se trata de criticar Estados influentes em relação aos seus antecessores no cargo, como o ganês Kofi Annan (que morreu em 2018) e o sul-coreano Ban Ki-moon.

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