A instituição está responsável por 11 freguesias do concelho de Santa Maria da Feira mas, na sequência de divergências entre o comando operacional e a associação humanitária que gere a casa, os bombeiros têm exigido desde meados de março que a direção se demita e 52 voluntários suspenderam segunda-feira o serviço ativo, como forma de pressionar a reclamada renúncia ou destituição.

Essas licenças de inatividade deixaram a corporação com apenas 16 homens e isso explica que hoje a casa só tivesse ao serviço um operacional para atendimento telefónico e dois outros para acorrer a emergências, pelo que populares e alguns bombeiros gritavam frases como "'Passarinho' fora" - em referência à alcunha pela qual é conhecido Joaquim Cardoso, presidente da direção.

A promotora da manifestação foi a ex-voluntária Diana Guedes, que se diz preocupada com a atual redução de funcionários no quartel e "toda a gente depende dos bombeiros".

Considerando que a inatividade de 52 operacionais implica maior recurso a outras corporações da região, essa habitante de Lourosa quer ver satisfeita a exigência do corpo ativo e afirma: "O presidente pode ir embora à vontade porque nós precisamos dos bombeiros, dele não".

Um dos cidadãos que também participou no protesto já fez parte da equipa que a população quer precisamente ver afastada: Domingos Cristino foi tesoureiro na corporação vários anos, mas renunciou ao cargo a 29 de março para "satisfazer a vontade" dos bombeiros.

Questionado pela Lusa quanto ao motivo pelo qual passou a considerar inadequada a sua própria equipa, explicou: "Esta direção deve ser toda demitida porque não é amiga dos bombeiros".

José Gomes, outro ex-chefe da corporação, também se diz "contra as atitudes que o presidente tem tomado" e destaca a que esteve na origem da presente instabilidade: "Mandou os membros do comando embora e não devia, porque era uma boa equipa".

Outros manifestantes não conheciam as críticas à alegada "má gestão" dos atuais dirigentes, mas mostraram-se alarmados pelo efeito que a redução do número de operacionais pode ter na atividade da corporação relacionada com cuidados de saúde.

Foi o caso de Adelaide Silva, de Fiães, que estava a ficar sem voz de tanto gritar "Passarinho fora!", mas, entre um berro e outro, justificou: "Este presidente só está a prejudicar o quartel e, como preciso muitas vezes da ambulância, o meu medo é que, quando eu precisar, não haja bombeiros para me irem buscar".

Florbela Barros é de Fiães e aderiu ao protesto pelo mesmo motivo: "A minha sogra precisa dos bombeiros praticamente todos os meses e não sei como vai ser quando precisarmos da ambulância e não houver gente ao serviço".

O atual comandante interino da corporação, Fernando Oliveira, não abordou essas questões contabilísticas, mas reconhece que, ao longo desta semana, já passou serviço a outras corporações por não ter na sua equipa pessoal que o assegurasse.

"Mas isto só acaba quando a direção deixar de se agarrar ao poder e se for embora", avisou.

Nesse sentido, o porta-voz dos 52 bombeiros em inatividade, Amaro Fontes, lamenta que a manifestação de hoje não tenha sido mais participada.

"As pessoas são um bocado comodistas: hoje não saíram de casa para estar aqui, mas um dia destes, quando houver um incêndio grave ou emergência assim, vão perceber as consequências disto e pode já ser tarde", concluiu.

[Por Alexandra Couto, da agência Lusa]

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