A MSR anunciou hoje que encerrou a parceria que vinculava as duas organizações não-governamentais ONG há quatro anos e que salvou 30.000 pessoas no Mar Mediterrâneo.

No entanto, a organização lembrou a gravidade da situação daqueles que continuam a fugir da Líbia devido à crise da covid-19, já que Malta e Itália fecharam oficialmente seus portos aos migrantes.

A SOS Méditerranée, por seu lado, considerou que “infelizmente as condições de segurança já não estavam garantidas para as tripulações e as pessoas resgatadas”, disse Sophie Beau, diretora-geral da organização, à agência de notícias AFP.

Voltar ao mar significaria correr o risco de enfrentar “situações que levariam um grande impasse no mar”, ao não ter “desembarque garantido” para os migrantes e, ainda, “transportes médicos tornados muito perigosos pelas condições da crise sanitária” causada pelo novo coronavírus.

Até novo aviso, o navio de resgate Ocean Viking — fretado pela SOS Méditeranée – permanecerá em Marselha (sul da França), o seu porto de origem.

“Não poderíamos assumir a responsabilidade de voltar ao mar quando todos os indicadores estiverem vermelhos”, continuou Sophie Beau.

A SOS Méditerranée, que até agora trabalhava com a Organização Médicos do Mundo, espera retomar as operações o mais rápido possível, sem a MSF, para evitar que “esta crise da saúde esconda outra”, a humanitária, no Mediterrâneo.

A MSF, por seu lado, gostaria de continuar os resgates a bordo do Ocean Viking, mesmo sem qualquer garantia dos Estados europeus de poder desembarcar as pessoas resgatadas, em nome do “imperativo humanitário”, explicou Hassiba Hadj Sahraoui, responsável por questões humanitárias da organização.

A organização médica dificilmente poderia continuar a mobilizar uma equipa médica se o barco de resgate permanecesse atracado na França, acrescentou.

A MSF, determinada a continuar a sua ação no Mediterrâneo, desafia diretamente a responsabilidade dos Estados europeus, que “continuam a esquivar-se da sua responsabilidade, frustrando incansavelmente os esforços das ONG”.

“A luta contra a covid-19 não deve ser usada como desculpa para impor políticas mortais de migração”, acrescentou a MSF, que pede a suspensão das restrições “que impedem imediatamente as ONG de salvar vidas no mar”.

A MSF acusa Malta e Itália de não terem respondido a vários pedidos de socorro e de ter recusado o “desembarque de quase 200 pessoas” por outras ONG durante o fim de semana da Páscoa.

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