“Não excluo que possam acontecer modelos semelhantes àquilo que em Portugal se designa ‘Geringonça’, precisamente num quadro em que as fronteiras ideológicas estão a ser definidas dessa forma. Não acho é que esse seja o bom modelo, nem que esse seja o bom modelo político para a Europa enfrentar os problemas que tem pela frente”, afirmou o ex-ministro Adjunto e do Desenvolvimento Regional do Governo PSD/CDS-PP liderado por Pedro Passos Coelho.

Poiares Maduro, que falou à Lusa à margem de palestras para alunos de Direito em Macau e Hong Kong, considera que a atual solução de Governo em Portugal (um Executivo PS apoiado por BE, PCP e PEV) “é sobretudo um acordo de oportunidade política e não de uma visão de fundo, comum para o país”.

O ex-ministro defende que atualmente, “em todo o mundo, a divisão principal não é tanto entre esquerda e direita, mas entre aqueles que têm uma visão do mundo aberta, não protecionista, mais cosmopolita, e os que têm uma visão do mundo de regresso às fronteiras nacionais e a uma lógica de isolacionismo”.

“E aí, naquilo que é hoje a visão fundamental em termos políticos no mundo, parece-me claramente que o Partido Socialista não está com o Bloco de Esquerda e com o Partido Comunista”, afirmou.

Poiares Maduro observou que há “uma redefinição das fronteiras ideológicas e não é só na Europa” e referiu o exemplo de “alguns aspetos fundamentais da política” do Presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump: “Aspetos ao nível dos costumes conservadores de direita, alguns aspetos da política económica, por exemplo, ao nível dos impostos, que também diria de direita. E depois (…) a promessa de uma política fortemente expansionista e deficitária, que seriam aquilo a que na Europa chamaríamos de esquerda”.

“E ao nível da política internacional, o isolacionismo, o protecionismo económico, também seriam aquilo que na Europa designaríamos de esquerda”, adiantou.

Poiares Maduro apontou, no entanto, que alguns partidos radicais na Europa “são difíceis de colocar na esquerda ou na direita”, dando o exemplo do italiano Beppe Grillo, do Movimento 5 Estrelas.

“O que nós temos realmente é uma redefinição do arco ideológico”, sublinhou.

“O que eu tenho pena é que um partido tradicionalmente moderado e de centro em Portugal, como o Partido Socialista, esteja a cair do lado errado dessa redefinição da fronteira ideológica, esteja associado a partidos que têm uma visão do mundo e da Europa contrária aos processos de integração e a uma lógica de abertura, e favorável ao protecionismo e a um regresso às fronteiras nacionais e ao isolacionismo”, acrescentou.

O antigo ministro argumentou ainda que a forma de responder aos “desafios enormes” que o mundo enfrenta ao nível do crescimento da desigualdade e do modelo de trabalho futuro, face ao aparecimento da robótica, “não é o regresso às fronteiras nacionais”.

“A forma de responder a isso é através da Europa, é através de uma globalização regulada por um papel forte da União Europeia”, afirmou.

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