“Deixei de ter dúvidas sobre o desenvolvimento exponencial da defesa europeia no dia em que pela primeira vez entrou nas reuniões ministeriais a comissária Bienkowska [comissária europeia para o Mercado Interno, Indústria, Empreendedorismo e Pequenas e Médias Empresas]. Acabou de entrar o dinheiro, acabou de entrar o mercado, portanto isto vai avançar”, disse.

O ministro da Defesa Nacional intervinha num debate promovido pela secretaria de Estado dos Assuntos Europeus, em parceria com a Comissão Europeia, sobre “A Política de Segurança e Defesa e o Futuro da Europa”, que decorreu nas instalações da OGMA – Indústria Aeronáutica, em Alverca, moderado por Ana Paula Zacarias, com a participação do diretor-adjunto do Centro Europeu de Estratégia Política, ex-ministro da Defesa romeno Mihnea Motoc.

Azeredo Lopes considerou que “ao contrário do que se pensa”, comparada com o mercado norte-americano de Defesa “não somos tão anões orçamentais” e que a Europa “gasta muito em Defesa” se forem agregados os orçamentos dos vários estados-membros.

O que há, disse, é “diferenças significativas” quanto à dispersão das capacidades e “diferenças avassaladoras do ponto de vista do retorno industrial”.

“Acredito que a defesa europeia existirá se mantiver a dimensão transatlântica e se a gerirmos de forma serena e equilibrada”, disse.

“Se temos que gastar dois por cento do nosso PIB como meta até 2024 isso só vai acontecer se conseguirmos ter retorno industrial, se associarmos ao conceito de defesa a indústria de duplo uso e se ligarmos as Forças Armadas de cada país a academia, o mercado e as empresas”, preconizou.

Para Azeredo Lopes, “uma política de defesa da União Europeia funciona também como cimento, que é político e de interesse”.

“Não defendo os casamentos por interesse mas aqui defendo o interesse para as associações plurinacionais de Estados-membros da União Europeia”, disse.

Quanto à Cooperação Estruturada Permanente (CEP), ou PESCO, na sigla inglesa, Azeredo Lopes considerou que “não é nenhuma revolução” mas “é um enorme êxito” e “tocou a rebate o sino europeu”.

“Entraram 25 (países) e só não entraram mais porque tivemos de fechar a porta, e países de fora querem entrar neste momento. Porventura terá sido um êxito excessivo e quase apetece dizer `foge cão que te fazem barão, para onde se me fazem visconde´”, ironizou.

“O desafio hoje é saber se vamos conseguir ter uma defesa europeia industrial”, advertiu, dizendo acreditar que a Europa “está a caminho disso”.

Em Portugal, “uma opção política fundamental do Governo foi apostar na capacitação marítima, no reforço do exercício da jurisdição nos espaços marítimos, quer através da Marinha, quer através da Força Aérea”.

O ministro lembrou que estão previstos “processos aquisitivos” para mais navios patrulha oceânicos – que serão construídos em Portugal - para um navio polivalente logístico e admitiu que “mais tarde ou mais cedo vai colocar-se a questão de um navio reabastecedor”.

“Eu, se tivesse dinheiro apostava na indústria naval”, disse, em resposta a uma pergunta do presidente da câmara de Vila Franca de Xira, Alberto Mesquita, que referiu que “faltam engenheiros e técnicos de construção e reparação naval, não há mão de obra especializada” e perguntou se a aposta do governo nesta área pode “influenciar os currículos” no ensino, visando aumentar a oferta de cursos nestas áreas.

Para o ex-ministro da Defesa da Roménia, Mihnea Motoc, “o aumento do investimento na Defesa e Segurança não é um luxo, é uma necessidade imperiosa” mas, a nível europeu, “o mercado da defesa “está estagnado” e não concorre com os EUA ou com a China.

Os veículos aéreos não tripulados (drones militares) são fabricados fora da União Europeia, que recorre ao exterior para comprar material essencial para, por exemplo, “os seus aviões a jato”, frisou.

A União Europeia de Defesa e a PESCO, surgem, considerou, como “o remédio para os fatores negativos” que predominam atualmente.

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