“Vejo isto [requisição civil] como um ataque à greve, até porque estas pessoas cumpriram os serviços mínimos. O Governo não esteve aqui […], estas pessoas saíram para trabalhar, simplesmente fizeram oito horas e não as 14 ou 15 horas que habitualmente fazem”, assegurou Pedro Pardal Henriques, que falava aos jornalistas em Aveiras de Cima, distrito de Lisboa.

O advogado Pedro Pardal Henriques lamentou ainda que o sindicato e os trabalhadores não tenham conhecimento das escalas que “estão a ser feitas”, vincando que apenas sabem das percentagens decretadas e não a que número de veículos se referem.

Questionado sobre a possibilidade de os serviços mínimos para o abastecimento do aeroporto de Lisboa não terem sido cumpridos, o assessor jurídico do Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) garantiu que os carros saíram de Aveiras, escoltados pelas autoridades, e que todos os motoristas, escalados para essa função, cumpriram as oito horas de trabalho.

“Agora se foram escalados para fazer quatro viagens e só fizeram três […] porque é o limite das oito horas de trabalho, se calhar foi isso que aconteceu”, indicou.

Pedro Pardal Henriques reiterou ainda que estes trabalhadores devem “receber condignamente” pelas suas funções e que, “ainda que contrariados”, cumpriram os serviços mínimos.

Este responsável referiu também que o conflito é "muito simples de resolver", bastando "chamar as partes para se fazer um acordo", alternativa que o sindicato diz que sempre tentou.

"Fizemos várias propostas [...] e a resposta [das empresas] foi sempre ‘não, não queremos’", referiu o advogado, acrescentando que representará os trabalhadores até que o SNMMP queira.

"Eu sei que o Dr. Pedro Pardal Henriques incomoda muita gente e, sobretudo, alguns sistemas instalados e as pessoas que cometem crimes de fraude fiscal. Enquanto o sindicato me quiser, pois não vai ser o dr. André Almeida [porta-voz da Antram] a dizer para eu sair. Vai ter que levar comigo porque eu vou lutar por estas pessoas até ao fim", concluiu.

O primeiro-ministro, António Costa, afirmou hoje que o cumprimento dos serviços mínimos na greve dos motoristas mudou "da manhã para tarde" e anunciou a convocação de um Conselho de Ministros eletrónico para avaliar a necessidade da requisição civil.

António Costa falava aos jornalistas no Palácio de Belém, em Lisboa, depois de uma reunião com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, sobre a greve dos motoristas, encontro que durou cerca de uma hora.

O primeiro-ministro adiantou que já estão a ser realizados transportes conduzidos pela GNR ou pela PSP.

Os motoristas cumprem hoje o primeiro dia de uma greve marcada por tempo indeterminado e com o objetivo de reivindicar junto da associação patronal Antram o cumprimento do acordo assinado em maio, que prevê uma progressão salarial.

A greve foi convocada pelo Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) e pelo Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias (SIMM), tendo-se também associado à paralisação o Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos do Norte (STRUN).

O Governo decretou serviços mínimos entre 50% e 100% e declarou crise energética, que implica “medidas excecionais” para minimizar os efeitos da paralisação e garantir o abastecimento de serviços essenciais como forças de segurança e emergência médica.

(Notícia atualizada às 19h06)

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