O caso foi levado à justiça por dois homens que desafiaram a continuidade das inspeções retais por parte da polícia. Os dois visados foram submetidos ao procedimento quando estavam a ser investigados por suspeita de homossexualidade, que no Quénia é ilegal.

O crime - ser homossexual - pode ser punido com uma pena de prisão de até 14 anos, embora sejam raros os casos de execução da lei. "Não havia nenhuma outra forma de obter provas de que eles são gays sem a realização da análise anal", afirmou o juiz Anyara Emukule, numa decisão do Supremo Tribunal na cidade portuária de Mombasa.

Os dois homens devem recorrer. A Amnistia Internacional condenou a decisão, dizendo que "exames anais forçados em homens suspeitos de manter relações com pessoas do mesmo sexo são uma prática abominável e violam a proibição da tortura e de outros maus tratos, ao abrigo da lei internacional", afirmou o diretor da organização na África Oriental, Muthoni Wanyeki.

A homofobia está a aumentar em África e adotar uma posição antigay, assim como defender os valores cristãos evangélicos, é uma garantia de receber votos de eleitores em muitos países do continente.

Ativistas dos direitos dos homossexuais têm alertado para o aumento da intolerância no Quénia, incluindo ataques a gays e supostos casos de violação de lésbicas para "curá-las".

Num relatório recente, a ONG Human Rights Watch afirmou que a discriminação contra os homossexuais no Quénia "continua a ser um grande problema". "A resposta das autoridades aos ataques e a outras formas de violência contra os gays tem sido limitada", denunciou a ONG.

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