Em comunicado, a Ordem dos Médicos deixa também um apelo para que "seja possível reencontrar um caminho que possibilite que o Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa (HCVP) se mantenha como uma instituição de referência".

No mês de abril, por duas vezes, mais de uma centena de profissionais do HCVP enviaram uma “carta denúncia” ao Governo, na qual manifestaram “enorme preocupação” com a forma como Francisco George, presidente nacional da Cruz Vermelha Portuguesa e do Conselho de Administração não executivo do hospital, “está a pôr em risco a sobrevivência clínica e económica” do hospital.

Hoje, quando se assinala o Dia Mundial da Cruz Vermelha, a Ordem dos Médicos refere estar a acompanhar com preocupação a situação no HCVP.

“A Cruz Vermelha Portuguesa foi sempre uma instituição de referência, muito em particular em algumas especialidades médicas desenvolvidas no seu hospital, que é um elemento importante no parque hospitalar português. Neste contexto, temos encarado com muita preocupação as notícias vindas a público, muito em particular algumas situações relatadas por colegas que ali trabalham e que destacam uma grande instabilidade nos últimos tempos, com impacto nas condições de trabalho dos profissionais e nos cuidados de saúde prestados aos doentes”, afirma o bastonário da Ordem dos Médicos.

Na nota, Miguel Guimarães defende que, numa altura crítica da pandemia da covid-19 que Portugal atravessa, é ainda mais imperioso que os doentes com outras patologias não vejam os seus cuidados de saúde interrompidos.

“Deixo um apelo para que seja possível reencontrar um caminho que possibilite que o Hospital da Cruz Vermelha se mantenha como uma instituição de referência, o que passa por conseguir que uma administração desenvolva e implemente um projeto em total sintonia e respeito pelos profissionais que ali trabalham e sem nunca perder o foco na qualidade assistencial e na segurança clínica dos doentes”, sublinha o bastonário.

A Ordem dos Médicos lembra ainda na nota o importante percurso histórico da Cruz Vermelha e o trabalho meritório que foi desenvolvido nas suas mais variadas áreas de intervenção, desde o apoio domiciliário, ao nível escolar, ajuda alimentar e cuidados médicos.

A primeira carta dos profissionais do HCVP foi enviada em 06 de abril e a segunda em 29 de abril, ambas endereçadas ao Presidente da República, ao presidente da Assembleia da República, primeiro-ministro e ministros das Finanças, da Defesa e da Saúde, e assinado por médicos, enfermeiros, técnicos, administrativos e auxiliares de ação médica e colaboradores.

Logo depois da primeira carta, Francisco George disse à Lusa que estranhou a iniciativa, explicando: “Estou há pouco tempo na CVP, estou na administração de manhã à noite, vejo o diretor clínico todos os dias e até hoje nada me disse”.

No entanto, segundo a carta dos profissionais, “o relacionamento entre o corpo clínico e administrativo do hospital e o Dr. Francisco George atingiu um ponto de rotura total”.

Na quarta-feira, o ministro da Defesa Nacional esclareceu que deve ser o conselho supremo da Cruz Vermelha Portuguesa a averiguar a “boa ou má gestão” de Francisco George, porque à tutela apenas compete “verificar a legalidade dos atos”.

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