"Podemos constatar simplesmente que o grupo de trabalhou chegou a uma conclusão diferente da conclusão das autoridades judiciais suecas", declarou à AFP uma porta-voz do minstério dos Negócios Estrangeiros da Suécia, país que quer interrogar o australiano por um suposto caso de violação. 

A decisão da ONU, que deverá ser oficial amanhã, abre novas perspectivas. Não sendo vinculativa, no passado foram reportados casos de pessoas libertadas com base nas suas resoluções, incluindo Aung San Suu Kyi, em Myanmar, e o jornalista do Washington Post Jason Rezaian, que foi mantido preso pelo Irão durante 18 meses. 

Assange, mais de 3 anos na embaixada

O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, tinha dito esta quinta-feira de manhã que estava disposto a sair na sexta-feira da embaixada equatoriana em Londres e a entregar-se caso um painel das Nações Unidas determinasse que a sua detenção era legal. "Se a ONU anunciar amanhã que perdi o caso contra o Reino Unido e a Suécia, deverei deixar a embaixada (do Equador em Londres) ao meio-dia de sexta-feira para aceitar a detenção por parte da Polícia britânica, já que um apelo não parece possível", explicou. Mas se, pelo contrário, o painel decidir "que os Estados agiram de maneira ilegal, espero a devolução imediata do meu passaporte e que não ocorram novas tentativas de me prender", acrescentou Assange, asilado há mais três anos na embaixada equatoriana.

O australiano, de 41 anos, refugiou-se na embaixada equatoriana em Londres no dia 19 de junho de 2012 depois de esgotar todos os recursos contra a sua extradição da Grã-Bretanha para a Suécia. O Equador ofereceu-lhe asilo, mas Assange pode ser preso imediatamente se pisar solo britânico, e durante anos houve agentes policiais que permaneceram mobilizados em frente à embaixada, com um custo de milhares de libras.

Em resposta à declaração de Assange, o governo britânico informou esta quinta-feira que iria detê-lo e extraditá-lo para a Suécia se ele saisse da embaixada equatoriana. "A acusação de violação continua de pé e a ordem de prisão europeia em vigor, portanto o Reino Unido tem a obrigação legal de extraditar Assange para a Suécia", disse o ministério dos Negócios Estrangeiros britânico.

O caso Wikileaks

O australiano teme que a Suécia o entregue aos Estados Unidos, onde pode ser processado por ter revelado milhares de documentos diplomáticos e militares americanos no site WikiLeaks. Assange fundou o WikiLeaks em 2006, e as suas atividades, incluindo a divulgação de 500.000 arquivos militares secretos sobre as guerras no Afeganistão e no Iraque e 250.000 correspondências diplomáticas enfureceram os Estados Unidos.

A principal fonte das fugas de informação, o soldado do exército americano Chelsea Manning, foi condenado a 35 anos de prisão por violações da Lei de Espionagem. O WikiLeaks disse que a manipulação feita pela Suécia no seu caso manchou a reputação do país no que diz respeito aos direitos humanos.

Assange apresentou em 2014 ante o Grupo de Trabalho sobre Detenções Arbitrárias (WGAD) uma queixa contra a Suécia e o Reino Unido, alegando que o seu confinamento na embaixada equatoriana (da qual não podia sair porque o Reino Unido lhe negava um salvoconduto) constituía uma detenção ilegal.

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