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'Panama Papers': Sócios da Mossack Fonseca detidos

Este artigo tem mais de 4 anos
Os dois fundadores do escritório de advocacia Mossack Fonseca, envolvido no escândalo 'Panama Papers', foram detidos preventivamente na quinta-feira, como parte das investigações relacionadas com a operação Lava Jato no Brasil.
'Panama Papers': Sócios da Mossack Fonseca detidos

Jürgen Mossack e Ramón Fonseca Mora foram levados para a sede da Direção de Investigação Judicial da Polícia, na capital do Panamá, depois de prestarem depoimentos na procuradoria, informou Elías Solano, um dos advogados da Mossack Fonseca.

Estas detenções acontecem depois da procuradoria ter feito buscas, também na quinta-feira, nos escritórios da Mossack Fonseca. As autoridades acusam os sócios de lavagem de dinheiro.

De acordo com a procuradora Kenia Porcell, a empresa é "uma organização criminosa que se dedica a ocultar ativos e dinheiro de origens suspeitas" e  serve para "eliminar provas dos envolvidos em atividades ilícitas relacionadas com o caso Lava Jato".

Solano, porém, afirmou que "o Panamá poderá constatar que não existe" lavagem de dinheiro neste caso e que são "acusações forçadas, carentes de provas".

Além de Mossack e Fonseca, uma terceira pessoa foi detida, escreve a AFP.

A operação Lava Jato revelou subornos de grandes construtoras a funcionários públicos na América Latina entre 2005 e 2014.

Antes da sua detenção, Ramón Fonseca havia acusado o presidente do Panamá, Juan Carlos Varela, de receber dinheiro da Odebrecht.

"O presidente Varela - que caia um raio sobre a minha cabeça se eu estiver a mentir - disse que tinha aceitado doações da Odebrecht porque não podia lutar contra todo o mundo", disse Fonseca. Varela denunciou as acusações. Em causa está o financiamento da campanha presidencial de 2014. "As doações recebidas pela minha campanha foram contribuições políticas. Não são subornos. Nem um dólar destas contribuições foram para meu benefício ou da minha família", disse Varela.

Fonseca, ministro-conselheiro do governo de Varela e dirigente do Partido Panamenho (direita), foi obrigado a pedir demissão no ano passado após o escândalo dos 'Panama Papers' [Documentos do Panamá], que revelou um vasto sistema de evasão fiscal à escala global. Esta investigação foi coordenada pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ).

O ICIJ, fundado em 1997 e dirigido pelo jornalista australiano Gerard Ryle, reúne 190 jornalistas de mais de 65 países. A organização, com sede em Washington, é autora de investigações que cobrem áreas como a corrupção, a criminalidade internacional e os paraísos fiscais.

Por mais de uma década, a Odebrecht manteve este "esquema de corrupção em massa", pagando cerca de 800 milhões de dólares (749 milhões de euros) em subornos a funcionários de governos em três continentes, de acordo com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

Vários países da América Latina estão a realizar investigações sobre supostos subornos da Odebrecht em troca de contratos públicos.

O caso afetou, até o momento, o ex-presidente do Peru Alejandro Toledo, a campanha do atual presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, e vários parentes do ex-presidente do Panamá Ricardo Martinelli.

Foram também colocadas em causa atividades de vários desportistas, e não faltam na lista de visados no escândalo 'Panama Papers' alguns portugueses.

Fonseca Mora garante que o seu escritório não tem nada a ver com as acusações e afirma que as autoridades procuram um "bode expiatório" para "desviar as atenções".

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