Apesar da greve de trabalhadores da empresa de assistência em terra, que, segundo o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Aviação Civil (SINTAC), está a ter uma adesão de cerca de 95%, em Lisboa, a operação no Aeroporto de Lisboa aparentava estar dentro da normalidade, na primeira manhã de três dias de paralisação.

No entanto, aos balcões da Portway acorriam alguns passageiros que, apesar de avisados atempadamente do cancelamento dos voos, estavam descontentes com as alternativas apresentadas pelas companhias aéreas e procuravam soluções para chegarem aos destinos, a tempo de regressar ao trabalho, depois das férias em Portugal.

Entre elas estava Daniel Narciso, que devia ter voado hoje pela easyJet para Genebra, na Suíça, e ficou a saber na quinta-feira noite que tal não ia acontecer.

“Tenho um bebé de cinco meses ao colo, ontem [quinta-feira], e com uma cara muito séria, aqui neste balcão, disseram-me que tinham um voo disponível para mim no final de setembro”, disse à Lusa Daniel Narciso, claramente descontente com a alternativa.

Depois de contactar a linha de apoio internacional da companhia aérea de baixo custo, para quem a Portway faz o serviço de ‘handling’, foi-lhe apresentava uma nova opção, num voo na próxima semana, que incluía uma escala de um dia.

“Voltamos ao trabalho na segunda-feira, não dava. Comprámos outro voo, de outra companhia, no sábado. Os preços aumentaram logo, ou seja, foi a preço de ouro e nem foi para Genebra, foi para Zurique e de lá temos de apanhar um comboio”, explicou Daniel Narciso, enquanto esperava pela sua vez para pedir informações sobre o reembolso do bilhete.

Também Francisco Costa ficou a saber na quinta-feira que o seu voo para Bordéus, França, pela easyJet tinha sido cancelado, devido à greve que decorre até domingo.

“Só tenho voo dia 02, tinha de estar dia 01 a trabalhar em Bordéus e não consigo”, disse à Lusa, no postigo do balcão da Portway, no Terminal 2 do aeroporto de Lisboa, de onde partem sobretudo as companhias ‘low cost’, a maior parte clientes da Portway.

“Se eu quiser outro voo não consigo, porque estão a 500, 600, 1.000, 1.200 euros. […] É impossível, não vou pagar tanto dinheiro, ainda por cima vou perder este, é tudo prejuízo”, realçou.

Na mesma situação encontrava-se Manuela, que devia voar hoje pela mesma companhia aérea para Londres, onde recomeça o trabalho na segunda-feira, mas ficou em terra.

A paralisação, marcada para hoje, sábado e domingo, contesta “a política de RH [recursos humanos] assumida ao longo dos últimos anos pela Portway, empresa detida pelo grupo Vinci, de confronto e desvalorização dos trabalhadores por via de consecutivos incumprimentos do Acordo de Empresa, confrontação disciplinar, ausência de atualizações salariais, deturpação das avaliações de desempenho que evitam as progressões salariais e má-fé nas negociações”, apontou o SINTAC.

O pré-aviso prevê a paralisação geral dos trabalhadores da empresa de assistência em terra, nos aeroportos de Lisboa, Porto, Faro e Madeira.

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