No final de uma reunião de mais de hora e meia com o presidente da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), Pedro Passos Coelho salientou que a tragédia ocorrida na sequência do incêndio que já causou 62 mortos "não tem paralelo em Portugal e, por essa razão, não faz sentido desdramatizar a situação".

"As pessoas quererão saber, têm o direito a saber, a explicação para que isto tivesse acontecido. Este ainda não é o momento de poder fornecer essa resposta cabal, eu penso que ela ainda não existe", afirmou, salientando que a primeira resposta terá de ser dada ao nível técnico.

Para o líder do PSD, posteriormente terá de haver igualmente "uma avaliação de natureza política".

"Mas não é esta a altura para fazer essa avaliação política. No dia em que for necessário dar uma resposta política adequada a esta matéria cá estarei também, mas penso que há outros antes de mim que têm de dizer alguma coisa", afirmou.

Na reunião na sede da ANPC, Passos Coelho esteve acompanhado de duas vice-presidentes do PSD, Teresa Leal Coelho e Teresa Morais, e dois vice-presidentes da bancada, Carlos Abreu Amorim e Nuno Serra.

"Esta visita serviu para mostrar que não estamos alheados do que se está a passar, não estamos desinteressados, muito pelo contrário, não queremos atrapalhar aquilo que é a resposta que tem de ser dada no momento, mas estamos a acompanhar de forma tão informada e interessada quanto possível o que aconteceu", disse, adiantando que só irá ao terreno dos incêndios ‘a posteriori' e que preferiu inteirar-se da situação na sede da ANPC para "não atrapalhar" os operacionais.

O líder do PSD alertou, contudo, que espera que quando o debate ocorrer não redunde em conclusões como as ouvidas em anos anteriores do tipo "isto é sempre assim" ou "não há nada a fazer".

"Esta não é uma altura para os políticos se estarem a comportar de forma inadequada, é preciso ter aqui alguma parcimónia, não é altura de estarmos a procurar respostas políticas imediatas, elas existirão a seu tempo", considerou.

Por essa razão, Passos Coelho escusou-se a responder a questões sobre eventuais falhas nas comunicações ou sobre a origem do incêndio, embora dizendo que os sociais-democratas colocaram durante a reunião "variadíssimas questões à ANPC".

"Não quero nesta altura estar a entrar nesses detalhes, acho que não me compete fazê-lo nesta fase, é uma fase em que o que é preciso é acudir às situações no terreno, não é altura para tirar conclusões", reforçou.

Passos Coelho aproveitou a ocasião para reafirmar "a consternação e solidariedade" do PSD para com as pessoas afetadas e as famílias das vítimas e deixou uma palavra de encorajamento aos meios técnicos e humanos no terreno, escusando-se a pronunciar se estes são ou não suficientes.

O fogo, que deflagrou às 13:43 de sábado, em Escalos Fundeiros, concelho de Pedrógão Grande, alastrou depois aos concelhos vizinhos de Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera, no distrito de Leiria, e entrou também no distrito de Castelo Branco, pelo concelho da Sertã.

O último balanço dá conta de 62 mortos civis e 62 feridos, dois deles em estado grave. Entre os operacionais, registam-se dez feridos, quatro em estado grave. Há ainda dezenas de deslocados, estando por calcular o número de casas e viaturas destruídas.

O Governo decretou três dias de luto nacional, até terça-feira.

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