Depois de aprovado, e anunciado pelo secretário-geral do PCP, o candidato será apresentado, oficialmente, na quinta-feira, 17 de setembro, numa cerimónia em Lisboa.

Se a escolha da candidata for uma mulher, será a primeira vez que o PCP o fará desde as eleições de 1976.

Há vários meses que os comunistas vinham garantindo que iam ter um candidato a Belém e em junho o secretário-geral do partido, Jerónimo de Sousa, afirmou que iriam tomar uma decisão “lá para setembro".

Na terça-feira, o secretário-geral dos comunistas excluiu-se de uma candidatura presidencial (a que concorreu duas vezes, em 1996 e 2006) e anunciou, sem "dar nenhuma informação apressada" que, "com certeza" o partido terá "outro candidato, outra candidata que será anunciado talvez no dia 12, mais coisa menos coisa".

“Eu candidato? Costuma-se dizer que não há duas sem três, mas já participei nessas batalhas”, respondeu aos jornalistas, com uma risada, quando interrogado na terça-feira se sentia “o impulso” de voltar a concorrer.

O PCP avançou sempre com candidaturas a Belém desde 1976, de dirigentes muito próximos da liderança, desistiu por três vezes e dois deles foram secretários-gerais.

Desde as primeiras presidenciais no pós-25 de Abril, em 1976, que deram a vitória ao general Ramalho Eanes, até hoje os comunistas apresentaram sempre candidatos às eleições presidenciais, de dirigentes muito próximos da liderança, desistiu por três vezes e dois deles foram mais tarde secretários-gerais – Carlos Carvalhas e Jerónimo de Sousa.

Nas primeiras presidenciais da democracia, avançou Octávio Pato, um histórico do PCP desde os tempos da clandestinidade, líder parlamentar da bancada comunista na Assembleia Constituinte, que obteve 7,59% dos votos, abaixo de Otelo Saraiva de Carvalho, o estratego do golpe do 25 de Abril (16,46%).

Por três vezes, os candidatos comunistas não foram a votos.

O primeiro foi Carlos Brito em 1980, que desistiu para o partido apoiar Ramalho Eanes, Ângelo Veloso em 1986, que saiu da corrida nas eleições que deram a vitória a Mário Soares sobre Freitas do Amaral, e Jerónimo de Sousa em 1996, para apoiar Jorge Sampaio na vitória sobre Cavaco Silva.

Em 1985 e 1986, Portugal vive uma das eleições presidenciais mais disputadas, entre Mário Soares, líder do PS e adversário dos comunistas durante a revolução, e Diogo Freitas do Amaral, fundador do CDS, e em que também entrou Salgado Zenha, um histórico dos socialistas.

Foram eleições em duas voltas. Na primeira, os comunistas apresentaram Ângelo Veloso, um dirigente histórico do partido e deputado eleito pelo Porto, que não chegou às urnas para tentar favorecer Salgado Zenha.

Mas a votação ditou a passagem à segunda volta de Soares e Freitas e o PCP teve de organizar um congresso, em tempo recorde, um congresso para formalizar o apoio ao ex-líder socialista. O mesmo congresso em que Álvaro Cunhal pediu aos militantes que votassem em Soares mesmo que tivesse de tapar a sua cara no boletim de voto.

“Se for preciso tapem a cara [de Soares no boletim de voto] com uma mão e votem com a outra”, pediu.

Os candidatos presidenciais dos comunistas foram sempre muito próximos das lideranças.

Carlos Carvalhas, que sucedeu a Álvaro Cunhal em 1992 na liderança do partido, concorreu um ano antes, em 1991, às presidenciais.

E é de Carvalhas o melhor resultado de sempre de um candidato do PCP em presidenciais – 12,92%.

Em 2001, o candidato comunista foi António Abreu, próximo da direção de Carvalhas, vereador na câmara de Lisboa, que recolheu 5,16%.

Nas eleições em que foi a votos, em 2006, Jerónimo de Sousa, já secretário-geral do partido desde 2004, ficou em quarto lugar, com 8,64%.

Em 2011, o escolhido foi Francisco Lopes, deputado e membro da direção do partido, que recolheu 7,14% dos votos.

Há cinco anos, numas presidenciais com um recorde de candidatos (10), os comunistas apoiaram o ex-dirigente do PCP na Madeira Edgar Silva que teve 3,95% dos votos.

A seis meses do fim do mandato do atual Presidente da República, são já oito os pré-candidatos ao lugar de Marcelo Rebelo de Sousa, apesar de o nome de um deles ainda ser uma incógnita, o do PCP precisamente.

São eles o deputado André Ventura (Chega), o advogado e fundador da Iniciativa Liberal Tiago Mayan Gonçalves, o líder do Partido Democrático Republicano (PDR), Bruno Fialho, a eurodeputada e dirigente do BE Marisa Matias, a ex-deputada ao Parlamento Europeu e dirigente do PS Ana Gomes, Vitorino Silva (mais conhecido por Tino de Rans), o ex-militante do CDS Orlando Cruz e no sábado será conhecido o candidato apoiado pelo PCP.

Marcelo Rebelo de Sousa ainda não revelou o que vai fazer, remetendo uma decisão “lá para novembro”.

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