No dia em que as novas medidas tomadas pelo Conselho de Ministros para controlar a pandemia de covid-19 entraram em vigor, o candidato liberal participou na iniciativa ‘online’ “Conversas Presidenciais” promovida por estudantes da Universidade Católica Portuguesa.

Depois de uns problemas de som no início da conversa, Tiago Mayan começou por dizer que estava numa reunião ‘zoom’ com mais gente do que as reuniões presenciais que tem tido nos últimos tempos.

Durante quase uma hora, os estudantes lançaram várias questões como o que é ser liberal, o papel do Presidente da República na política externa, o populismo e o extremismo, o estado de emergência e a Constituição.

“O que em termos pessoais tentei fazer durante esta campanha, e sempre, é demonstrar olhar nos olhos, não é proibindo ou ilegalizando, é estar frente a frente com essas propostas e demonstrar o vazio de proposta de valor que ali há, as totais incongruências entre o que se proclama e o efeito das propostas que se fazem”, afirmou quando questionado sobre as propostas mais extremistas.

Na sua opinião a “única via” é “fazendo essa denúncia e essa confrontação”, mas “tem que ser olhos nos olhos e com uma visão clara de alternativa que também tem falhado muitas vezes”.

“Têm que ser novas propostas políticas não extremistas, não populistas, com valor como a liberal, que podem fazer esse confronto de forma mais eficaz”, defendeu.

Questionado sobre se vê algum adversário como inimigo da democracia liberal e se João Ferreira e André Ventura poderão ser considerados uma “face da mesma moeda”, o candidato respondeu: “João Ferreira pela ideologia que perfilha sim, o comunismo preconiza uma ditadura, a ditadura da classe operária e André Ventura não se sabe muito bem o que é, mas ouvimo-lo e que ouvimos de André Ventura tem sinais muito preocupantes”.

Mais tarde, aos jornalistas, Tiago Mayan voltou ao assunto e disse estar a referir-se a “toda e qualquer versão extremista de sociedade que conceba o Estado como um impositor totalitário sobre a vida dos cidadão” e que isso “já existia em Portugal muito antes de existirem novas propostas politicas”

“Chega, Bloco de Esquerda, PCP têm cada um à sua maneira, visões extremistas de Estado e de sociedade”, afirmou.

E continuou: “são partidos muitos distintos mas são partido que, cada um à sua maneira, têm propostas totalitárias e que atentam à individualidade e à liberdade dos cidadãos e, nesse aspeto, a proposta liberal é diferente de todos”.

O papel do Presidente da República na política externa foi outro dos temas lançado pelo universitários e, em resposta, Mayan ressalvou que não se destina a ser Governo, nem ministro dos Negócios estrangeiros, mas ser um “defensor dos valores civilizacionais” e ser “uma voz da lusofonia”.

Apontou o caso de Moçambique e frisou que “um Presidente da República teria que já ter sido muito interventivo e ativo em denunciar isto e tentar fazer com que, quer no contexto do Governo português, quer mesmo a nível europeu fosse dada uma resposta a isto”.

“Um Presidente português, no próprio contexto europeu, teria que ter sido uma voz crítica de quem negoceia fundos europeus , tentando fazer cair a condição de estado de direito como já vimos António Costa fazer com viktor urban”, acrescentou.

Quanto à Constituição, disse que vê “muita margem de melhoria” e considerou o seu preâmbulo “quase uma peça arqueológica”.

“Esta constituição não nos impede de tomar um rumo mais liberal no país, não nos impede de defender direitos liberdades e garantias, não nos impede de ter uma lei de bases de saúde que conceba um sistema integrado, como temos na grande maioria dos países europeus Não é a Constituição que nos impede isso, são os bloqueios e o facto de estarmos presos às mesmas propostas de sempre há décadas”, ressalvou.

E qual a solução para acabar com os políticos de carreira? O candidato liberal considerou que é a “limitação de mandatos” e a “nível transversal de todos os cargos”, bem como “deixar bem claro a incompatibilidade de determinada funções com o exercício do poder político”.

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