A acusação foi feita pelo deputado Hugo Soares, na abertura de uma interpelação sobre a reforma do Estado, no parlamento, afirmando que este “Governo de entretém”, que faz “oposição à oposição”, só tem um objetivo: “não deixar de ser Governo.”

“Em vez de dinamizar a economia para gerar riqueza e emprego, o Governo das esquerdas estatiza o emprego para gerar e gerir clientelas eleitorais”, afirmou Hugo Soares, para uma bancada do Governo com dois ministros: Eduardo Cabrita (Adjunto) e Maria Manuel Leitão Marques (Presidência e Modernização Administrativa).

O executivo do PS, PCP, BE e PEV, nas palavras de Hugo Soares, está "preso ao situacionismo da esquerda", "abre tribunais onde não se fazem julgamentos", anuncia "90 mil funcionários públicos ninguém sabe para onde ou porquê".

"Ao Governo só importa o anúncio em ano eleitoral", acusou.

Ao longo de 12 minutos e meio e 11 páginas de discurso, o deputado do PSD voltou à tese de que “as esquerdas” que estão no Governo têm “como projeto comum” não permitir “um Governo do PSD, mesmo que desejado pelos eleitores”, numa referência aos resultados das legislativas de 2015 - PSD e CDS venceram as eleições, mas as esquerdas tiveram maioria no parlamento.

Hugo Soares fez um balanço negativo dos tempos de governação desde 2015, acusando o executivo liderado pelo socialista António Costa de ser “o inimigo dos serviços públicos”.

E deu vários exemplos no seu discurso. “Hoje a escola pública está pior, o Serviço Nacional de Saúde (SNS) está pior, os transportes públicos, a segurança pública está pior”, exemplificou.

O SNS, sublinhou, tem “cada vez mais dívida e pior serviço”, os transportes têm “menos carreiras” e são “mais caros”, as forças de segurança têm “cada vez menos condições”.

Ano e meio de Governo, disse, resultou num “Estado mais caro, menos eficiente, mais afastado do cidadão e a prestar pior serviço”.

Na resposta do Governo, o ministro Eduardo Cabrita afirmou que a intervenção de Hugo Soares lhe fez lembrar uma “emissão do tipo RTP Memória”, recordando a reforma do Estado - proposta pelo ex-ministro Paulo Portas - “em ‘power point’” feita “para troika ver”.

Uma proposta, sintetizou, que foi usada como “arma demagógica de arremesso partidário” no tempo do Governo PSD/CDS-PP.

O ministro respondeu depois ao PSD com alguns números, lembrando que o atual executivo reduziu em meio milhão o número de portugueses sem médico de família, cifrando-se atualmente o número em 750 mil, “o mais baixo de sempre”, mas também fez obras de melhoramento em cerca de 80 escolas.

Sem responder diretamente à acusação de “estatizar o emprego”, o ministro Adjunto contrapôs que, ao contrário do que fez o anterior Governo, que pôs em "estado de sítio" os parceiros sociais, regiões autónomas, autarquias, universidades e associações da sociedade civil, agora o atual Governo dialoga.

E agora promete fazer uma "efetiva descentralização de competências para os municípios e as freguesias".

O governante reclamou ainda para este executivo a reforma de Estado como tema central, dando como exemplo o Simplex, o preenchimento eletrónico do IRS e a renovação eletrónica da carta de condução.

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