Em conferência de imprensa na sede do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP, em Moscavide, concelho de Loures, distrito de Lisboa, o comissário Bruno Pereira retificou a informação inicial da detenção de dois elementos desta força de segurança, referindo que há dois polícias suspeitos de integrar o grupo criminoso, dos quais um detido e outro constituído arguido.

Em causa estão crimes de associação criminosa, corrupção, favorecimento pessoal praticado por funcionário, extorsão, coação, detenção de armas proibidas e tráfico de estupefacientes.

Denominada “Dupla Face”, a operação de investigação teve início há cerca de um ano, sob a direção do Departamento Central de Investigação e Ação Penal e culminou hoje, a partir das 04:00, em “vários atos processuais”, inclusive 22 buscas domiciliárias, 28 buscas não domiciliárias e o cumprimento de dois mandatos de detenção.

Segundo o comissário Bruno Pereira, estes atos processuais decorreram nos distritos de Lisboa, Setúbal e Beja.

Em resultado da operação policial, há registo de quatro detidos, dois pelo cumprimento de mandatos de detenção, após “recolha de elementos probatórios”, e outros dois por posse de arma proibida, com idades compreendidas entre os 31 e os 48 anos, registando-se ainda 10 elementos constituídos arguidos.

Dos quatros suspeitos que foram detidos, "um deles era um agente da PSP do Comando Metropolitano de Lisboa”, afirmou o comissário, referindo que o outro polícia constituído arguido também faz parte do Comando Metropolitano de Lisboa.

A detenção do polícia suspeito de pertencer ao grupo criminoso foi feita no local de trabalho: “foi detido durante a sua prestação de serviço”, precisou.

Sem avançar com o ‘modus operandi’ deste grupo, “porque a investigação está sob segredo de justiça”, Bruno Pereira adiantou que a atividade criminosa “era desenvolvida de forma proeminente na Área Metropolitana de Lisboa”.

Os quatro detidos vão ser presentes, na quinta-feira, no Tribunal Central de Instrução Criminal, para primeiro interrogatório judicial, informou o representante do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP, acrescentando que os elementos constituídos arguidos ficam a aguardar a continuidade da investigação.

“A operação irá continuar”, reforçou o comissário, indicando que o grupo organizado é suspeito de se dedicar aos crimes de associação criminosa, fraude, favorecimento pessoal, corrupção, detenção de arma proibida e tráfico de estupefacientes, “sobretudo haxixe”.

No âmbito das buscas, que decorreram durante a madrugada de hoje, por volta das 04:00, com a participação de “perto de 150 polícias”, foi apreendida uma caçadeira de canos longos e uma pistola de calibre 6.35, bem como “vários outros bens e documentação relacionados com a atividade”.

Durante a operação, “não houve incidentes a relatar”, declarou o comissário da Divisão de Investigação Criminal da PSP, frisando que as buscas decorreram sobretudo nos distritos de Lisboa e Setúbal e “uma busca no distrito de Beja”.

Sem poder detalhar a responsabilidade e participação de cada suspeito na atividade do grupo criminoso, Bruno Pereira disse que “todos, da sua forma e com aquilo que era a sua participação ativa, mais ou menos ativa, tinham o seu papel definido”.

“Do ponto de vista genérico, o grupo está indiciado em todo esse acervo de crimes”, sustentou o representante do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP, ressalvando que poderá haver diferenças quanto à participação de cada e o grau de responsabilidade, mas “todos eles estão ligados a todos os crimes”.

Questionado sobre se os dois polícias suspeitos vão ser suspensos de funções, o comissário Bruno Pereira referiu que, no âmbito do regulamento disciplinar da PSP, “serão desencadeados todos os mecanismos internos relativamente à sua possível responsabilidade disciplinar, que segue, também, em paralelo e de forma autónoma, com a responsabilidade penal”.

(Notícia atualizada às 14:29)

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