A posição foi transmitida por José Eduardo dos Santos no discurso de abertura da reunião do Comité Central do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), que está a decorrer hoje em Luanda, com a aprovação da lista de candidatos do partido a deputados nas eleições gerais de agosto na agenda.

Fontes do partido contactadas pela Lusa indicam que José Eduardo dos Santos será o número três na lista proposta, um lugar elegível para o parlamento, mas não sendo certo que o ainda chefe de Estado, que completa 75 anos em agosto, possa assumir o cargo de deputado.

"O país avança quando as suas instituições se fortalecem, quando aumenta a competência dos seus quadros e a sua nomeação e ascensão tem por base o mérito. E também quando a gestão da coisa pública é feita com transparência. Pretendemos assim que o país dê um importante salto qualitativo, melhorando o desempenho dos servidores públicos depois das eleições”, disse.

“Este sinal deve ser dado agora, que estamos a escolher os nossos candidatos, para infundir confiança no povo e para que este reafirme a sua confiança no MPLA", acrescentou José Eduardo dos Santos.

Num discurso inicial de mais de 12 minutos, José Eduardo dos Santos anunciou - o que aconteceu pela primeira vez publicamente - que já está aprovado o nome do vice-presidente do partido e ministro da Defesa, João Lourenço, para cabeça-de-lista do MPLA às próximas eleições gerais, e candidato a Presidente da República, e do ministro da Administração do Território, Bornito de Sousa, também general na reserva, como número dois, concorrendo a vice-Presidente.

"Na sua reunião de 02 de dezembro de 2016, no quadro da preparação do partido para participar nessas eleições [gerais, de 2017], o Comité Central aprovou o nome do candidato João Manuel Gonçalves Lourenço como cabeça-de-lista a candidato a Presidente da República e o nome do camarada Bornito de Sousa como segundo da lista e vice-candidato a Presidente da República", anunciou José Eduardo dos Santos.

A reunião do Comité Central de hoje, explicou o líder do partido - reeleito para novo mandato naquele cargo no congresso de 2016 - servirá para "aprovar a lista completa de candidatos efetivos e suplentes que a direção do partido vai apresentar" às eleições gerais, a realizar até agosto deste ano.

"Esta lista foi preparada pelo Bureau Político em conformidade com o estatuto do partido e tendo em conta a contribuição dos escalões intermédios e da bancada parlamentar do partido, assim como do secretariado do Bureau Político. Foram observados tanto os princípios da renovação e continuidade, como os critérios da representatividade das mulheres e jovens e de outros extratos sociais definidos pelo Comité Central e pelo congresso do partido", afirmou o líder do partido e chefe de Estado.

José Eduardo dos Santos chegou a anunciar em março último que pretendia abandonar a vida política em 2018, pelo que deverá continuar a liderar o MPLA pelo menos durante mais um ano.

"Com a aprovação da lista completa dos candidatos, o MPLA tem as condições criadas para começar a mobilizar o povo, de Cabinda ao Cunene, e para apresentar no momento certo os seus candidatos ao Tribunal Constitucional", disse.

José Eduardo dos Santos é Presidente de Angola desde setembro de 1979, cargo que assumiu após a morte de Agostinho Neto, o primeiro Presidente angolano.

A Constituição angolana aprovada em 2010 prevê a realização de eleições gerais a cada cinco anos, elegendo 130 deputados pelo círculo nacional e mais cinco deputados pelos círculos eleitorais de cada uma das 18 províncias do país (total de 90).

O cabeça-de-lista pelo círculo nacional do partido ou coligação de partidos mais votado é automaticamente eleito Presidente da República e chefe do executivo, conforme define a Constituição, moldes em que já decorreram as eleições de 2012.

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