De barba falsa, jardineiras e no papel de músico country. Foi assim que no sábado Sasha Baron Cohen subiu ao palco de um comício conservador em Washington e interpretou uma canção com várias tiradas racistas.

Uma vez no palco e disfarçado, Cohen até pediu a ajuda do público. A letra fazia referência à injeção "da gripe de Wuhan" ao ex-presidente norte-americano Barack Obama, à democrata Hillary Clinton e a Dr. Anthony Fauci, o perito mais escutado nos EUA sobre a pandemia. (Contudo, também aludiu à possibilidade de cortar os membros da Organização Mundial de Saúde "como os sauditas fazem".)

O comício em questão foi organizado pelo movimento com ligações à extrema-direita Washington Three Percent e reuniu fações "constitucionalistas". A NPR falou com o seu líder, Matt Marshall, para tentar perceber como tudo aconteceu.

Marshall explicou que Cohen (na verdade terá sido uma organização pelo nome de Back To Work USA) apareceu do nada uma semana antes do comício e ofereceu-se para ajudar a pagar várias coisas que ajudaram à realização do evento. Desde um palco adornado com balões, a uma equipa de segurança — que impediu que os organizadores o expulsassem do palco quando se aperceberam do que realmente estava a acontecer —, passando pelo equipamento necessário para atuar.

À NPR, o líder do movimento admite que lhe passou pela cabeça o pensamento: "será bom demais para ser verdade?". Todavia, as suspeitas dissiparam-se quando o grupo Back To Work USA avançou com o dinheiro para pagar as casas de banho portáteis e outras necessidades do evento. Marshall estima que os custos totais estejam na ordem dos 50.000 dólares — e acrescenta que o dinheiro foi pago diretamente aos fornecedores, pelo que nada foi entregue aos organizadores do comício.

"Falámos com eles sobre como era frustrante ser rotulado de racistas e eles concordaram connosco. Do género, baixamos realmente a guarda e confiámos neles", contou.

A rádio pública norte-americana dá conta que Marshall tentou, durante anos, convencer os seus críticos de que tanto ele como os outros membros rejeitam ideologias racistas. Por isso, quando apareceu um grupo disposto a ajudar os conservadores a divulgar a sua mensagem nos estados mais liberais, a situação estranhada foi vista inicialmente como encorajadora.

A atuação de Cohen tornou-se viral e levantou de pronto algumas suspeitas (de que era efetivamente obra do comediante), mas a Variety garante que se tratou mesmo de uma performance do britânico, autor de personagens como Ali G ou Borat, e que recentemente criou a sátira política "Quem é a América?".

Aliás, o facto de ainda não se saber nada sobre o futuro deste programa de forma oficial — a Showtime não revela se renovou ou cancelou a série —, levou a que muitos fãs começassem a especular se este episódio não fará parte de uma eventual primeira temporada.

Na primeira temporada de "Quem é a América?", Cohen entrevistou e parodiou figuras como Bernie Sanders, Dick Cheney, Jill Stein, Roy Moore ou O.J. Simpson. No entanto, o canal que produz a série escusou responder às questões da Variety sobre o assunto.

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