“Os 100 mil passageiros/dia que iremos, eventualmente, atingir este ano, durante o verão, obrigam a medidas de gestão do próprio aeroporto a que chamamos de contingência”, afirmou o “chairman” da ANA – Aeroportos de Portugal à agência Lusa, em Ponte de Sor.

À margem do evento aeronáutico Portugal Air Summit, Ponce de Leão não especificou quais serão essas medidas de contingência, mas disse que serão adequadas “ao ‘stress’ de uma utilização nos limites” do aeroporto.

“No verão, sabemos que as companhias áreas não vão chegar rigorosamente nas horas previstas e temos que ter medidas de contingência. O aeroporto já as desenhou, teve o cuidado de planear a irregularidade”, referiu.

Segundo Ponce de Leão, face ao expectável aumento de passageiros, no verão, o aeroporto poderá recorrer, como costuma fazer nesta altura do ano, à contratação de jovens para “disciplinar os fluxos” de viajantes.

“No verão, por vezes, utilizamos alguns jovens que ajudam no aeroporto a disciplinar fluxos, para que isso se processe de forma normalizada, de resto é pessoal da ANA”, frisou.

O “chairman” da ANA – Aeroportos de Portugal, que interveio esta manhã no debate “A Solução para Lisboa: Que desafios e oportunidades?”, defendeu que o aeroporto do Montijo, com o aproveitamento civil da base aérea, para complementar o Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, “é uma solução irrecusável”.

“É a solução mais óbvia em termos de tempo de execução e em termos financeiros”, argumentou, alertando para o “forte condicionamento” que já existe “à exploração e crescimento” do Aeroporto de Lisboa, em que “90% dos ‘slots’ [lugares de estacionamento] já estão alocados”.

O Montijo, insistiu, perante o crescimento do Aeroporto Humberto Delgado, de “14% no ano passado e de 20% este ano”, assume-se como “a única solução” que acrescenta “valor” a Lisboa, “em termos de número de frequências e de número de voos por hora, na região de Lisboa”.

“Está fora de causa que a solução Montijo não seja uma solução segura”, mas é para que o seja em definitivo que estão a decorrer estudos ambientais e de segurança, frisou o presidente da ANA.

“É preciso, primeiro, diagnosticar os problemas e, em segundo, encontrar as soluções. Se for tomada uma decisão em definitivo em relação ao Montijo é porque foram encontradas as soluções adequadas para remover os problemas de segurança”, disse.

Já o presidente da Associação Portuguesa de Pilotos de Linha Aérea (APPLA), Miguel Silveira, que também participou no debate, mostrou-se preocupado com a solução do Montijo como complementar ao Aeroporto de Lisboa.

“A infraestrutura do Montijo não está apta, neste momento, a receber aeronaves de transporte aéreo comercial”, nomeadamente devido à pista, que “é muito curta”, e por “questões de segurança, devido à avifauna que está muito presente na Reserva Natural do Tejo”.

Para o representante dos pilotos, que disse que a associação “não é a favor, nem contra o Montijo”, faltam também “vários estudos” para sustentar a opção por esta solução, como é o caso de “um estudo de mitigação dos riscos”.

No debate, Mário Neto, da NAV Portugal, defendeu que o Montijo é “a opção certa” como aeroporto complementar de Lisboa, e Rogério Pinheiro, da Associação Portuguesa de Transporte e Trabalho Aéreo, argumentou que o importante é que a decisão para o novo aeroporto seja “rápida”, porque “é preciso abrir mais ‘slots’ e o setor não se pode manter estrangulado”.

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