Em comunicado, a associação sublinha que as posições de Mamadou Ba, “assentes no pleno exercício de uma democracia plural, têm sido alvo frequente de ataques que excedem o contraditório legítimo, para se instalarem no insulto, no ataque difamatório quando não da ameaça pessoal”

Quase 15.000 pessoas aderiram, desde domingo, a uma petição pública virtual que exige a deportação do ativista antirracismo Mamadou Ba devido a comentários depreciativos sobre o falecido militar condecorado Marcelino da Mata.

Os peticionários reclamam que o ex-assessor parlamentar do BE e dirigente da associação SOSRacismo “proferiu declarações caluniosas no Twitter [rede social] contra o militar mais condecorado da História portuguesa, o tenente-coronel Marcelino da Mata, um dia depois do seu falecimento”, aos 80 anos, vítima de covid-19.

“Na sequência de uma opinião que nem sequer está isolada (várias pessoas e instituições condenaram os louvores a Marcelino da Mata), Mamadou Ba esteve no centro de várias petições solicitando a sua expulsão do país, uma delas com cerca de 15 mil assinaturas”, refere o SOS Racismo.

Na nota, o grupo, mostrou-se preocupado com a repercussão das petições no espaço público e a projeção nas redes sociais e media.

Na opinião do SOS Racismo, as petições revelam a “permeabilidade do espaço público não apenas à calúnia e ao impropério, mas, principalmente, à mensagem que vê a deportação como punição adequada para uma espécie de delito de opinião”.

De acordo com o grupo, o “magnetismo exercido em certas instituições e partidos, dos mais recentes a alguns que se reclamam cofundadores da Democracia portuguesa, pelo ímpeto racista, pelo discurso do ódio, pela fúria nacionalista”.

Por isso, o SOS Racismo repudia o conteúdo das petições, apelando a que outras pessoas e instituições se solidarizem, no zelo necessário para com uma sociedade democrática, plural e crítica.

Mamadou Ba criticou o CDS-PP por ter apresentado no parlamento um voto de pesar pela morte “do sanguinário Marcelino da Mata”. Segundo o ativista, o falecido fundador da tropa de elite “Comandos” terá declarado que nunca entregou “um turra (calão para combatente independentista africano) à PIDE (Polícia Internacional e de Defesa do Estado) do regime fascista de Oliveira Salazar.

“Queixam-se do uso displicente do qualificativo ‘fascista’ e refutam a filiação ideológica ao fascismo. Mas investem na homenagem a figuras sinistras como Cónego Melo, Kaúlza de Arriaga e Marcelino da Mata. Marcelino da Mata é um criminoso de guerra que não merece respeito nenhum”, publicou ainda Mamadou Ba.

No domingo, o CDS-PP exigiu a "saída imediata" de Mamadou Ba do grupo de trabalho para a Prevenção e o Combate ao Racismo e à Discriminação, criado pelo Governo em janeiro, por ter insultado Marcelino da Mata.

Marcelino da Mata, o mais condecorado militar do Exército português, falecido na quinta-feira, serviu em mais de 2.000 operações na Guerra Colonial e, no pós-25 de Abril de 1974, foi detido e torturado por elementos da extrema-esquerda, exilando-se em seguida em Espanha até ao contragolpe do 25 de Novembro de 1975 (que acabou com o Processo Revolucionário Em Curso).

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