Em comunicado, a administração da Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP) rejeita também ser “instrumentalizada por qualquer ação que extravase as preocupações específicas dos serviços que presta às populações, afastando-se de todos e quaisquer possíveis aproveitamentos de caráter político eleitoral decorrentes da manifestação” agendada para as 15:00, junto à Câmara do Porto, pelos promotores de uma greve convocada pelo STRUN-CGTP.

“À distância de um mês das eleições autárquicas, é muito importante para a empresa demarcar-se deste tipo de iniciativas”, sublinha a STCP.

Num contexto em que o direito à greve continuará a ser “absolutamente respeitado”, a empresa refere que “tomou as medidas necessárias para pôr termo a um clima de medo raramente visto na empresa”.

Salienta que os trabalhadores filiados nos sindicatos mais representativos, subscritores de um acordo salarial “realista e responsável”, podem neste momento “exercer livremente o seu direito a trabalhar, assegurando a continuação do serviço público de transporte, objetivo que preside à existência da STCP”.

Na manifestação de hoje estará presente a secretária-geral da CGTP-IN, Isabel Camarinha.

A greve que termina no sábado visa exigir um aumento salarial superior aos 15 euros propostos pela empresa.

Os trabalhadores salientam que a proposta de atualização salarial de 15 euros apresentada pelo Conselho de Administração da STCP “é insuficiente porque não responde à questão central que é a desvalorização do salário dos trabalhadores relativamente ao salário mínimo nacional e à probabilidade do aumento da inflação”.

Na defesa destas reivindicações, realizaram-se já duas paralisações, nos dias 13 e 20 deste mês, com adesões próximas dos 80%, segundo o coordenador do Sindicato dos Transportes Rodoviários Urbanos do Norte (STRUN).

No primeiro dia de greve, em 13 de agosto, registaram-se alguns incidentes entre trabalhadores, que motivaram a intervenção policial, tendo a STCP iniciado um processo de averiguações.

“Iniciou-se um processo de averiguações face às ocorrência verificadas, que dará origem, se for esse o caso, às consequentes responsabilizações”, esclarece à administração da empresa em comunicado enviada à Lusa, no passado dia 20.

Para a STCP, “importa assegurar que o exercício do direito à greve respeite igualmente o direito a trabalhar, sem coações e sem medo. Do mesmo modo, devem repudiar-se sabotagens e danos ao material circulante”.

O Sindicato dos Transportes Rodoviários Urbanos do Norte (STRUN) desvalorizou, também em declarações à Lusa, os incidentes que marcaram o primeiro de vários dias de greve na Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP), negando propósitos de impedir o trabalho de motoristas não aderentes à paralisação.

“Aconteceu só um acidente, em que o motorista 'atirou' o autocarro para cima de outro colega. O resto foi com a polícia, má compreensão da polícia. Houve alguma pressão por parte dos trabalhadores para entrarem nas instalações, até para usarem as instalações sanitárias, como sempre aconteceu em anteriores greves, e a polícia entendeu que aquilo era para não deixar o pessoal trabalhar”, relatou o dirigente sindical José Manuel Silva.

A PSP informou ter sido chamada a intervir no dia 13 de agosto, em incidentes separados junto a duas estações de recolha da STCP, no Porto, envolvendo motoristas em greve que não quereriam deixar sair autocarros conduzidos por não aderentes à paralisação.

Os protestos foram convocados pelo Sindicato dos Transportes Rodoviários Urbanos do Norte para os dias 13, 20, 26 e 27, deste mês, entre as 00:00 e as 02:00 do dia seguinte.

A gestão da operadora de transportes urbanos do Porto é, desde o início do ano, assumida pelos municípios do Porto, Gaia, Gondomar, Matosinhos, Valongo e Maia.

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