"Ponderei e só não o fiz por ser uma alta figura de Estado com direito a imunidade e com possibilidade de não responder", afirmou Germano Marques das Silva à entrada do tribunal onde o arguido Azeredo Lopes vai ser hoje interrogado na instrução do processo.

O defensor do ex-ministro da Defesa disse ainda aos jornalistas que só chamou o primeiro-ministro, António Costa, a depor como testemunha, "por ter havido notícias de que o Ministério Público quis chamá-lo, mas [que] foi impedido de o fazer".

À entrada para o interrogatório, a seu pedido, Azeredo Lopes disse apenas que ia esclarecer os factos".

O ex-ministro da Defesa é interrogado na fase de instrução do processo, no qual é acusado de denegação de justiça, prevaricação, favorecimento pessoal praticado por funcionário e abuso de poder.

Para a defesa de Azeredo Lopes, “os factos que lhe são imputados não passam de meras conjeturas, gravemente infundadas, [e] não são suportadas em provas juridicamente relevantes", lê-se no Requerimento de Abertura de Instrução (RAI) do processo sobre o furto e a recuperação do armamento militar dos paióis de Tancos.

Azeredo Lopes demitiu-se do cargo a 12 de outubro de 2018.

Nove dos 23 arguidos do processo de Tancos são acusados de planear e executar o furto do material militar e aos restantes 14, entre os quais Azeredo Lopes, é-lhes imputada a participação na encenação que esteve na base da recuperação do equipamento.

O inquérito de Tancos investigou o furto, em 28 de junho de 2017, e as circunstâncias em que aconteceu a recuperação de grande parte do material militar, em 18 de outubro do mesmo ano.

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